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Campanha eleitoral vai prejudicar enfrentamento a covid

Justiça eleitoral não conseguirá garantir isolamento social nas eleições 2020.

O desejo do TSE – Tribunal Superior Eleitoral, atendido pelo Congresso Nacional através de uma emenda à constituição que alterou a data das eleições, não terá grandes efeitos em pequenos municípios no enfrentamento da pandemia.

A pedido de Luiz Roberto Barroso, presidente do órgão, as datas das eleições foram modificadas de 4 de outubro para 15 de novembro, o primeiro turno, e 29 de novembro o segundo. O objetivo de tal mudança é o novo coronavírus – covid-19, e a preocupação que o Brasil não coloque o povo na rua, num momento onde se acredita que esteja atingindo um pico da doença, com posterior redução de casos nos meses de setembro e outubro.

Em meio a tudo isso, um fator parece ser desconhecido por Barroso, e certamente ignorado por deputados e senadores, que muito provavelmente foram pressionados por pré-candidatos: eleição em cidade do interior.

Em menos de 30 dias, ficará autorizado a realização de convenções partidárias, mas a campanha já está nas ruas, e nos pequenos municípios, o candidato costumeiramente vai na casa do eleitor, toma café, aperta a mão, abraça, tira foto, faz compromissos.

Na grandes cidades, os candidatos fazem visitas sutis em ruas ou bairros, mas mesmo assim tem aglomeração.

O município de Itatim, no interior da Bahia, logo em junho, o prefeito e seu grupo político, mostraram que já estavam com as turbinas acionadas, e a pandemia não foi motivo de preocupação, durante realização de um ato de pré-campanha, onde foi anunciada a adesão de um vereador ao grupo, muitos compareceram em frente à casa do gestor, tendo todos os ingredientes de um ato de campanha, uma parte não usava mascará e mostravam se felizes, sorrindo e batendo palma.

Neste sábado (1), eleitores de Teolândia, do grupo de situação e oposição foram as ruas, uns de verde, outros amarelo, teve carreata, buzinas, som e fogos de artifício, em meio a duas aglomerações, a covid era só uma gripezinha ou coisa menor.

Teolândia, 01 de agosto de 2020.

Publicado por Diário Paralelo em Sábado, 1 de agosto de 2020

As imagens do dois municípios, somadas as de outros, é somente uma mostra que está prestes a acontecer, em breve o povo vai esquecer a pandemia e vai para a rua defender seu candidato em comícios e carreatas.

Eleição em capitais não é a mesma coisa que em cidades do interior, onde costumeiramente o dia posterior a eleição é feriado, e quem decreta é o candidato vencedor, que em muitos momentos sequer tem o poder em mãos. Após cerca de quatro meses em isolamento social, qualquer sinal de entretenimento será um convite irrecusável para sair de casa.

O Brasil mostrará que não fez bom negócio manter a eleição em 2020, mas os poderes entendem não ser bom para a democracia prorrogar mandatos. Tamanho desafio ficará na responsabilidade de promotores e juízes eleitorais, que terão que ter pulso firme na tentativa de controlar essa demanda, ou lavar as mãos e deixar que o exercício da democracia agrave a crise de saúde pública.

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