Cotidiano

Presidente da APLB diz que volta às aulas foi um “fiasco” e que não teme retaliação: “Malvadeza já morreu”

O presidente da APLB-BA, Rui Oliveira, classificou o retorno às aulas presenciais na rede estadual nesta segunda-feira (26) como “um fiasco”. Ele garantiu que 99% dos professores aderiram à posição do sindicato de não voltarem às salas antes da vacinação de todos os profissionais de educação com as duas doses do imunizante contra a Covid-19.

Na rede municipal, especificamente, o sindicato chegou a um acordo com a Prefeitura de Salvador que prometeu vacinar todos os trabalhadores até o dia 28. Foi definido ainda um prazo de mais 15 dias para o tempo de resposta da imunização e o sindicato vai apresentar um plano para a semana de acolhimento aos profissionais, antes de retornar efetivamente “com segurança” às escolas.

Já com o governo, o diálogo tem sido mais difícil. O governador Rui Costa (PT) determinou o retorno em todo o estado para esta segunda-feira, mas o sindicato questiona a falta de diálogo com a categoria e a ameaça de corte de salários daqueles que não se sentirem seguros a voltar ao trabalho. O professor Rui Oliveira fez uma analogia com a condução do petista diante do impasse, ao lembrar uma figura icônica da política baiana que está do lado antagônico ao do governador com origem sindical.

“[Governo da Bahia] Sem falar com ninguém, sem falar com UPB, com APLB, impõe que vamos voltar dia 26. Foi um fiasco, ninguém vai voltar e não temos medo de corte de salário, de intimidação. Essa época de ‘malvadeza’ acabou, vivemos uma democracia […] Já passou essa onda de ‘malvadeza’, cara. Ninguém tem medo de ‘malvadeza’ já não, ‘malvadeza’ já morreu”, provocou.

Governador da Bahia por três mandatos, Antônio Carlos Magalhães era chamado por críticos e opositores de “Toninho Malvadeza”, apelido pejorativo que teria sido colocado pelo ministro Goulbery do Couto e Silva (1974-1981) e acolhido pelo próprio político, que era conhecido pelo perfil autoritário e por comandar uma polícia considerada truculenta.

“Pergunte se os filhos deles estão indo para a aula”, questionou o líder da APLB-BA, que defende o retorno coordenado em todo o estado para manter uma “unidade”.

A paralisação dos professores e a decisão de não recuar mesmo com a possibilidade de corte de salário, segundo Rui Oliveira, “abriu um canal de comunicação” com o governo do Estado. Nesta quarta-feira (28), está marcada uma reunião com o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Caetano, e o de Educação, Jerônimo Rodrigues, para discutir as condições da categoria. 

Bnews

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