Mutuípe

Filha de Dr. Divaldo Brandão faz homenagem e conta detalhes da chegada do pai em Mutuípe, em 1951

Prefeitura decretou luto oficial de três dias.

A médica Silva Brandão, filha de Dr. Divaldo Brandão, fez uma homenagem ao pai no Facebook e ao mesmo tempo contou detalhes da chegada do médico em Mutuípe.

Quero escrever um pouco sobre o meu pai. Sei que será uma visão romântica de quem o ama e admira, de quem o teme e respeita. Afinal, pai é pai…Ontem fui contatada por dirigentes do município de Mutuípe, onde ele vive há 69 anos. Queriam saber se eu consentiria que ele fosse o primeiro a ser vacinado contra a COVID 19 no município. Bastante emblemático este fato. Considerei muito merecida a homenagem, inclusive como incentivo e exemplo para todos que o conhecem e respeitam.Divaldo Brandão é médico desde 1951. Atualmente impedido de exercer sua missão por conta da idade avançada (95 anos e 11 meses) e também dessa peste que vem dominando nossos dias há dez meses. Doia na nossa alma vê-lo com tanta vontade de viver e os anos passando impiedosos, como passa para todos. “És um Senhor tão bonito como a cara do meu filho, TEMPO TEMPO TEMPO TEMPO…” O TEMPO, dono de nossas vidas.Todo idoso começa a ser tratado pelos filhos como, Velho, pelo primeiro nome, etc. Paramos de chamá-los de Pai, Papai, Painho… Branda, como atualmente o chamamos carinhosamente, foi um negro corajoso. Nasceu em Salvador, gêmeo de Diva, filho de Sátyro Brandão, funcionário público, desenhista e Maria Izabel Brandão, dona de casa e depois escritora. Começou a trabalhar quando rapaz na área de diversões públicas; estudou no Colégio da Bahia (Central) e depois Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Certa vez me contou que queria ser Pediatra. Terminou sendo “interiorologista”, generalista, um “pau pra toda obra”. Em 1951, terminando o curso aos 26 anos de idade, foi convidado por Dr. Julival Rebouças para exercer a profissão no longínquo município de Mutuípe. Pegava-se um navio de Salvador a São Roque do Paraguaçu e depois um trem para chegar a Mutuípe. Muitas horas de viagem. Branda nunca havia morado no interior. Era rapaz da cidade grande, namorador e festeiro. Por isso, os colegas e parentes apostavam que ele não iria demorar a voltar. Ledo engano. Mutuípe conquistou o coração do médico. Jovem e muito corajoso, enfrentou momentos de extrema angústia e dificuldade. Partos difíceis, crianças desnutridas, traumas, ferimentos profundos, doenças tropicais com doentes graves acometidos por Tifo, Esquistossomose, Doença de Chagas, Varíola e tantas outras tormentas… O transporte utilizado para ir atender os pacientes na zona rural era “lombo de Cavalo”.Sentimo-nos muito honrados, seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos e agradecidos pela homenagem que hoje prestariam ao meu velho. Agradecemos de todo coração pela honra de com a sua vacinação contra a Covid 19, darmos o devido crédito à CIÊNCIA, ao esforço inimaginável que os cientistas do Brasil e do mundo vêm empenhando no enfrentamento dessa doença que já ceifou tantas vidas, que já entristeceu tantas famílias. Sentimo-nos muito honrados por ter a oportunidade de constatar que a verdade vem vencendo o NEGACIONISMO tosco que tem sido propagado no nosso país, fruto de ignorância e também da maldade humana. Porém, Deus nosso Pai Maior, chamou o meu velho para o seu convívio nesta madrugada. Vai, meu querido, experimentar novas lutas, viver nova vida em outro plano. E leva contigo o meu imenso sentimento de GRATIDÃO!GRATIDÃO! GRATIDÃO!!!🥰🌺

O corpo do médico foi translado a Salvador por volta de 11h30min, o sepultamento foi marcado para as 17h.

A prefeitura decretou luto oficial de três dias:

Decreto Nº 004/2021, de 20 de janeiro de 2021 – Decreto luto oficial no
município de Mutuípe, por 03 (três) dias, em razão do falecimento do
senhor Divaldo Brandão, que, em vida, prestou inestimáveis serviços ao
município de Mutuípe.

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