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O que os homens mais velhos procuram nas mulheres mais jovens ?

CASAL DE BONECONão é a estética ou o corpo firme ou a ostentação da beleza, como é costume afirmar. São as hipóteses mais previsíveis. Tampouco seria um movimento para ludibriar a velhice.
Homem mais velho não pretende recuperar o tempo perdido e fingir que rejuvenesceu quando vai atrás de uma mulher mais jovem. Nem é para esnobar antigas companheiras de sua faixa etária ou resolver suas dívidas paternas e edipianas.
Ele procura o romance. O espírito engenhoso e floreado do romance. É curiosamente seduzido pelo conto de fadas (jamais perde sua ingenuidade, mesmo depois de atravessar doloridos divórcios).
Busca a mulher mais jovem por entender que ela ainda confia no amor, mantém intacta a fantasia, o sonho de casamento e filhos. Não foi contaminada pelo ceticismo e amargura. Singulariza o contato, na expectativa de encontrar um sujeito para o resto dos seus dias. Ela se importa com a sinceridade, a lealdade e a fidelidade. Pode terminar a relação por uma mentira, e só termina a relação por uma mentira quem defende utopicamente a verdade.
A mulher jovem namora, flerta, tem pudores e receios, medos e curiosidade, disposta a cumprir todas as etapas da intimidade: reconhecimento, desavenças e superação. Não frequenta atalhos, preserva o enredo e os rituais de aproximação. Valoriza a conquista e o passo-a-passo. Prolonga o suspense e o mistério, para recompensar sua companhia com declarações de arrebatamento.
Dá espaço para confiar e conhecer, não julga e condena por antecedência. Não teve nenhum ex traumático que criou ojeriza de promessas e converteu a experiência em recalque. Inflama a vontade de felicidade na união e oferece credibilidade para ser convencida da seriedade dos laços.
É evidente que o homem mais velho se sente útil, enxerga-se útil, precisa enfrentar o trabalho de seduzir e provar seu valor. E também experimenta a possibilidade de ser virtuoso. Abraça o casamento como uma reinvenção de si, reerguendo sua virilidade pelo desafio. Assim como também é óbvio que é mais fácil ser idealizado por quem é jovem do que por quem tem a sua idade.
O homem mais velho está interessado hoje em fazer romance. Depois do Viagra, não precisa mais se preocupar com seu desempenho no sexo. O sexo não é mais tudo como antes. Acabou um problema e sobrou disponibilidade para cortejar e conviver.
Já as mulheres maduras são muito mais livres sexualmente, só que estão descrentes do romance. Levam o realismo como bússola. Não conservam grandes anseios amorosos, não alimentam projetos a dois, contentam-se com uma amizade e uma boa transa.
Ao mesmo tempo que têm o discernimento da vivência e a independência financeira, não estão dispostas a mudar seus hábitos por alguém, muito menos se encantam com a esperança. Usam a irreverência e a ironia como escudos, não têm vergonha de assumir a obscenidade ou fazer perguntas comprometedoras. Não se contém, não adiam sua oposição, não travam a língua para mais nada.
Elas perdoam com facilidade, pois não acreditam mais nos homens. A tolerância é indiferença. Aceitam a ruindade masculina como irreversível, sofreram o suficiente e não desejam sofrer mais. Fecharam a eternidade para balanço.
Não acalentam fé no altar e planos de uma velhice de mãos entrelaçadas. Partem do princípio de que nenhum homem presta. Como dispensaram o amor, a atração está unicamente apoiada no prazer. O erotismo é seu novo romantismo, funcional e desvinculado do envolvimento.
Talvez não seja verídico que a mulher madura, inteligente, linda e desimpedida, assuste o homem, ele recua e se desinteressa pela completa ausência de romantismo. Sem fé na raça masculina, não existe futuro para ser dividido.
Redação: Fabrício Carpinejar
Arte: Felix Nussbaum

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