Bahia

Em 2018, indústria baiana teve queda de unidades locais (-1,4%), mas emprego seguiu em alta (+4,2%) e valor gerado cresceu 26,0%, chegando a R$ 57,7 bi

Fabricação de alimentos lidera em novas unidades e emprego; derivados de petróleo têm maiores aumentos do valor gerado e da produtividade.

Em 2018, apesar de o número de indústrias em atividade na Bahia ter diminuído, o setor seguiu empregando mais e voltou a apresentar crescimento no valor gerado (uma aproximação da contribuição para o PIB), atingindo ainda seu recorde de produtividade.

Naquele ano, estavam ativas em todo o estado 5.855 unidades locais de empresas industriais com 5 ou mais pessoas ocupadas, um número 1,4% menor que o existente em 2017 (5.940) e 2,0% abaixo do verificado em 2014 (5.973), quando o setor industrial baiano havia atingido seu maior total de unidades locais.

Ainda assim, a Bahia se manteve com o oitavo maior número de unidades locais de empresas industriais do país, posição que ocupa em quase todos os anos da nova série histórica da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, iniciada em 2007 (exceto em 2014, quando ficou em nona posição). 

Em 2018, o estado respondia por 3,1% das 187.725 unidades locais de empresas industriais com 5 ou mais pessoas ocupadas em atividade em todo o Brasil. São Paulo (29,1%), Minas Gerais (12,3%) e Rio Grande do Sul (10,1%) tinham as maiores participações. 

As unidades fabris em atividade na Bahia, em 2018, empregavam 223.612 pessoas, um contingente 4,2% maior que o existente em 2017 (214.685 pessoas ocupadas). Foi o segundo aumento anual seguido no número de trabalhadores nas unidades industriais do estado, depois de três anos de quedas (2014, 2015 e 2016), com avanço no ritmo de crescimento em relação a 2017. 

O resultado de 2018 diminuiu um pouco mais o saldo negativo no total de pessoas ocupadas nas unidades industriais da Bahia. Mesmo assim, o estado ainda tinha, naquele ano, 9,4% menos pessoas ocupadas no setor (menos 23,1 mil em números absolutos) do que em 2011, quando havia atingido seu maior contingente de trabalhadores (246.721 pessoas).

De 2017 para 2018, dentre os estados, a Bahia teve o terceiro maior aumento absoluto no número de trabalhadores em unidades industriais (+8.927 pessoas), abaixo apenas de Santa Catarina (+26.381) e São Paulo (+23.792). A taxa de crescimento baiana (4,2%) foi a quinta maior. 

No país como um todo, o número de pessoas empregadas nas unidades locais industriais aumentou 0,6% entre 2017 e 2018, passando de 7,177 milhões para 7,218 milhões de pessoas.

O valor da transformação industrial (VTI), ou seja, o valor líquido gerado pelas unidades locais industriais, descontados os custos de produção (uma aproximação do valor agregado pela indústria ao PIB), também cresceu na Bahia em 2018, após ter caído na passagem de 2016 para 2017. 

A indústria do estado gerou R$ 57,750 bilhões em 2018, 26,0% a mais (ou mais R$ 11,915 bilhões) do que no ano anterior. 

A taxa de crescimento do valor gerado pela indústria baiana entre 2017 e 2018 (26,0%) foi a terceira maior dentre os estados, abaixo apenas das verificadas no Amapá (70,4%) e Maranhão (30,1%), que têm VTIs muito menores que o da Bahia. Em termos absolutos, o aumento no valor gerado no estado (mais R$ 11,915 bilhões) foi o quarto maior, abaixo de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Assim, em 2018, as unidades locais baianas mantiveram-se com o sétimo valor de transformação industrial mais alto do país, respondendo por 4,3% do total nacional, que foi de R$ 1,329 trilhão, 13,6% superior ao de 2017.

Em 2018, São Paulo respondia por R$ 1 em cada R$ 3 gerados pelas unidades locais industriais em atividade no Brasil (33,4% do VTI nacional). Em seguida vinham Rio de Janeiro (11,4%) e Minas Gerais (11,2%).

Produtividade do trabalho na indústria baiana cresce 21,0% e é recorde em 2018: R$ 258.264 gerados por pessoa ocupada

O aumento no valor gerado pela indústria baiana em 2018 levou a um recorde na produtividade do trabalho no setor (valor gerado por pessoa ocupada), que chegou a R$ 258.264, a quinta mais alta entre os estados. 

Pará (R$ 465,9 mil/pessoa ocupada), Amazonas (R$ 431,0 mil) e Rio de Janeiro (R$ 424,2 mil) lideram nesse indicador.

No país como um todo, a produtividade das unidades locais industriais ficou em R$ 184,2 mil de valor gerado por pessoa ocupada, em 2018. 

Na Bahia, o indicador de produtividade (R$ 258,3 mil/pessoa ocupada) voltou a crescer em 2018. Ficou 21,0% maior do que no ano anterior, após ter recuado na passagem de 2016 para 2017 (-5,8%). 

No Brasil em geral também houve avanço, mas em menor escala (+13,2%). Dentre os estados, só Roraima (-22,4%) e Tocantins (-17,8%) tiveram redução da produtividade das unidades industriais entre 2017 e 2018.

Em 2018, a fabricação de produtos alimentícios e a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis foram destaques positivos na indústria baiana. 

O segmento alimentício se manteve como principal empregador, concentrando 1 em cada 5 pessoas ocupadas em unidades industriais na Bahia (21,0% do total, o que representa 47.085 trabalhadores). Foi também, mais uma vez, a atividade que puxou, em termos absolutos, o aumento dos empregos industriais no estado, com mais 5.489 pessoas ocupadas em um ano (crescimento de 13,2% frente a 2017).

A fabricação de alimentos também tem o maior número de unidades industriais na Bahia: 1.422, o que representa quase 1 em cada 4 existentes no estado (24,3% do total de 5.855). Apesar de o setor industrial baiano, como um todo, ter tido saldo negativo de unidades locais entre 2017 e 2018, o segmento alimentício seguiu aumentando de tamanho e teve o maior crescimento absoluto no número de unidades: mais 176 em um ano.

Por outro lado, a redução no número de unidades locais industriais na Bahia, na passagem de 2017 para 2018, foi liderada, em termos absolutos, pela fabricação de produtos de minerais não metálicos (de 891 para 760, menos 131 unidades ou -14,7%) e pela fabricação de móveis (de 307 para 259, menos 48 unidades locais ou -15,6%).

Enquanto, na Bahia, a indústria alimentícia tem mais unidades e emprega mais, os dois líderes históricos na geração de valor industrial são a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis e a fabricação de produtos químicos. O primeiro gerou, em 2018, R$ 15,8 bilhões (27,4% do VTI do estado), enquanto o segundo teve VTI de R$ 9,7 bilhões em 2018 (16,9% do total).

Entre 2017 e 2018, a produção de derivados de petróleo foi justamente a que puxou, em termos absolutos, o aumento do valor da transformação industrial na Bahia, com um ganho de R$ 5,1 bilhões em um ano (+47,9%). Em segundo lugar veio o segmento de produtos químicos (mais R$ 1,9 bilhão ou +23,6%) e, em terceiro, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que mais que dobrou seu VTI na Bahia, passando de R$ 1,2 bilhão em 2017 para R$ 2,8 bilhões em 2018 (mais R$ 1,6 bilhão ou +139,0%). 

Com o aumento do valor gerado, a produção baiana de derivados de petróleo também teve o maior ganho absoluto de produtividade do trabalho, dentre as atividades industriais no estado. Passou de R$ 3,7 milhões/pessoa ocupada, em 2017, para R$ 5,2 milhões/pessoa ocupada em 2018 (+R$ 1,5 milhão em um ano). Em seguida, veio a indústria automobilística, que viu sua produtividade mais que dobrar em um ano, subindo de R$ 132,8 mil/pessoa ocupada para R$ 329,5 mil/pessoa ocupada (+148,1%).

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