Cidades

Adolescente abandona leite condensado e perde 54 kg

YURI MATHEUSCom 12 anos de idade, Yuri Matheus Melo de Sousa, hoje com 16, começou a se sentir mal por causa de seu peso. Chegou a consultar-se com nutricionistas e tentou algumas “dietas malucas”, que não deram certo. “Sempre me incomodei muito por ser o único gordo da escola. Nunca deixei ninguém praticar bullying comigo, mas me sentia diferente. Queria muito ter um corpo aceitável”, diz. O desconforto chegou ao ápice pouco depois de seu aniversário de 14 anos. “Lembro que estava na minha sala de aula e havia comentado com a minha amiga pelo Skype no dia anterior que eu não aguentava mais, que eu pisava na escola e me dava vontade de chorar. Fui para o banheiro e fiquei lá por um tempo, triste por ser diferente”, conta. Na época, Yuri pesava 140 kg. Os meses seguintes foram difíceis e ele começou a amadurecer a ideia de mudar seu estilo de vida. O estudante de Natal, Rio Grande do Norte, resolveu mudar radicalmente a alimentação e incluir exercícios físicos mais frequentes à sua rotina. Pouco mais de um ano depois, ele já tinha emagrecido 54 kg e estava pesando 86 kg. “Sou uma pessoa mais feliz. Minhas relações sociais mudaram. Hoje, sou colega de todo mundo.”

Vício em leite condensado – Antes da mudança, Yuri estava acostumado a comer pães e tapiocas no café da manhã e salgado e refrigerante no intervalo da escola. No almoço, não faltavam massas e purê de batata e, no jantar, mais pães e tapiocas. O lanche da tarde era especialmente calórico. “Todo santo dia guardava dinheiro do lanche da escola e comprava uma caixinha de leite condensado. Tomava leite condensado puro todo dia. Para minha mãe não desconfiar, jogava a caixa no telhado.” Seu segredo foi revelado durante uma reforma no quartinho dos fundos. Ele conta que se sentia mal depois de tomar a caixa toda porque ficava enjoado. “Mas depois queria comer de novo.” Hoje, a alimentação de Yuri é rica em verduras, legumes, frutas e carnes magras. Ele aprendeu várias receitas novas para adaptar doces e massas a versões com menos carboidratos. Ele sabe fazer uma coxinha de frango, por exemplo, que leva aveia e ricota na massa, em vez de batata.

Ele também consegue fazer quibe, pãezinhos recheados e até doces adaptados. “Minha mãe prepara as carnes e as verduras e eu tive que aprender as receitas para não enjoar.” A mãe, Alcimar Marques, confessa que, no início, não deu muita importância para a mudança do filho porque achou que ele não fosse persistir. “Meu filho teve muita força de vontade durante todo o processo de emagrecimento. Sempre que havia eventos festivos na família, ele preparava sua comida e levava numa marmita para garantir que não iria sair de jeito nenhum de seu novo estilo de vida, não abria nenhuma exceção para nenhuma ocasião.”Para Yuri, o mais difícil foi abandonar o leite condensado. “O que eu sinto muita vontade mesmo de comer, mas não me rendo à tentação, é o leite condensado e o chocolate branco.” Mas em seu aniversário de 17 anos, em agosto, ele planeja fazer uma “extravagância” e comer duas barras de chocolate que ganhou há algum tempo e deixou guardadas no armário.

Apoio – Além da mãe, quem mais apoiou Yuri durante seu emagrecimento foi a prima de 14 anos. “Ela me incentivava, me escutava. Não é todo mundo que vai aceitar falar só de dieta”, conta. Outra incentivadora foi a professora de educação física. Se, antes, ele detestava essa disciplina, agora a professora virou sua amiga. “Ela foi uma das que mais participou desse processo. Acompanhou tudo. Todo dia falava pra ela quanto tinha emagrecido.”Além das aulas de educação física, hoje ele também se exercita em casa e, uma vez por semana, a professora dá um treinamento personalizado. Yuri conta que não considera sua mudança de alimentação como uma dieta temporária e sim como um estilo de vida que ele pretende levar para sempre. “Como o meu objetivo de vida era emagrecer, aceitei o que eu devia ou não devia comer. Foi muito difícil, mas estava muito focado e não admitia sair do processo por nada.” (G1)

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