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Vírus geneticamente modificado pode combater câncer de pâncreas, diz estudo

Resultados foram bons em casos em estado avançado.

Uma equipe de cientistas espanhóis desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode combater o câncer de pâncreas avançado. Tal agente infeccioso é conhecido como um vírus oncolítico. Na primeira fase do estudo com voluntários humanos, a estratégia de terapia demonstrou ser segura e promissora no combate a este tipo de tumor.

Publicado na revista científica Journal of ImmunoTherapy of Cancer, o estudo sobre o uso de vírus geneticamente modificados foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (Idibell) e do Instituto Catalão de Oncologia (ICO), ambos na Espanha.

O tratamento com VCN-01 [nome oficial dos vírus] é viável e tem uma segurança aceitável”, explicam os autores do estudo. Agora, é necessário verificar a eficácia do tratamento contra o câncer de pâncreas em novas etapas dos estudos clínicos.

Como funciona o vírus geneticamente modificado?

Vale explicar que os vírus oncolíticos são agentes infecciosos geneticamente modificados para reconhecer e atacar células tumorais. Este é um tipo de imunoterapia inovadora com histórico já consolidado no tratamento de alguns tipos de câncer, mas adaptá-lo era um desafio contra os tumores no pâncreas.

Isso porque, quando o câncer já está em fase de metástase, é necessário que o vírus seja disseminado por todo o organismo do paciente. Nesses casos, o uso da terapia é limitada, já que a a filtragem no fígado e do baço podem reduzir a capacidade de atuação do vírus. Além disso, a disseminação generalizada pode gerar efeitos colaterais indesejados.

Criado em parceria com a startup VCN Biosciences, o vírus VCN-01 carrega duas importantes modificações genéticas. Em primeiro lugar, ele expressa uma proteína que impede que o vírus seja retido no fígado e o direciona para o tumor. Outra vantagem é uma mutação que o faz ser “atraído” pelo tumor e que acaba ajudando o sistema imunológico na defesa do organismo.

Futuro da pesquisa contra o câncer de pâncreas

Atualmente, o prognóstico — desenvolvimento de um quadro — para pacientes com câncer de pâncreas avançado é bastante limitado. Segundo os autores do estudo, a sobrevida média é inferior a um ano. Nesse sentido, são necessárias novas alternativas, como os vírus geneticamente modificados.

“Os dados obtidos neste ensaio clínico mostram a segurança e o potencial da imunoterapia com o vírus VCN-01”, explica Ramón Salazar, um dos autores do estudo, em comunicado. “Esses dados já foram revisados ​​e se espera que um ensaio clínico de Fase 2, com o mesmo vírus, comece durante o segundo semestre de 2022”, completa.

Fonte: Canaltech

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