Cotidiano

Um mês antes de morrer, Elias Maluco se desentendeu com comparsa

Cerca de um mês antes de sua morte, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, perdeu espaço na maior facção criminosa do Rio, na qual era apontado como sendo um de seus principais chefes. De acordo com fontes da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, o criminoso perdeu o posto de número dois da quadrilha e também o controle de bocas de fumo no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, e em comunidades da Baixada Fluminense, como a favela do Dique, em Duque de Caxias. Segundo as fontes, a perda de poder ocorreu após uma desavença com Márcio dos Santos Nemopuceno, o Marcinho VP, principal nome da quadrilha.

Marcinho, insatisfeito com algumas posturas de Elias, principalmente em relação à expansão para favelas da Baixada, teria determinado o afastamento dele da cúpula, transferindo o comando de suas bocas de fumo para Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca da Penha.

Esse não foi o primeiro desentendimento entre Marcinho e Elias. No ano passado, VP já tinha determinado o afastamento do comparsa, que acabou conseguindo contornar a situação.

Marcinho VP é conhecido, na facção comandada por ele, por dar ordens determinando mudanças na administração de algumas favelas. Em 2015, Adair Marlon Duarte, conhecido como Aldair da Mangueira, foi obrigado a dividir o comando da Vila Kennedy com outros dois criminosos.

Apesar dos desentendimentos com Marcinho, Elias não foi afastado da facção, mas apenas perdeu parte de seus domínios. Na última sexta-feira, dia em que o corpo de Elias foi velado e enterrado, criminosos soltaram fogos em comunidades do Rio e da Baixada, incluindo o Complexo da Penha.

Condenado pela morte do jornalista Tim Lopes, o traficante Elias Maluco estava há 13 anos e nove meses em presídio federal de segurança máxima. Ele foi transferido em janeiro de 2007, na primeira leva de presos do Rio enviados para Catanduvas, no Paraná, a primeira unidade inaugurada no país.

Nesse período, ele chegou a ser enviado para o presídio de Mossoró, no Rio Grande no Norte, mas retornou para Catanduvas em 2017, onde foi encontrado morto em sua cela. Na mesma unidade, estão outros chefes da facção, como o próprio Marcinho VP. A principal suspeita da Polícia Federal , que investiga o caso, é de que Elias tenha cometido suicídio.

Condenado a mais de 60 anos

Elias Maluco tinha 54 anos estava preso há 18. A maior parte desse tempo — quase 13 anos — ele passou longe de seu estado de origem, em presídios federais de segurança máxima. A manutenção do traficante fora do Rio era justificada pela necessidade de “impedir o fluxo de comunicações entre o preso e demais comparsas e de se evitar possíveis articulações criminosas e a sua influência nas atividades ilícitas da facção criminosa”, conforme se extrai de uma manifestação de 2017 da extinta secretaria de Segurança Pública do Rio.

O isolamento, porém, não impediu que Elias continuasse no comando de suas atividades ilícitas, como revelado durante investigação da Polícia que culminou com a Operação Overload II, deflagrada há dez dias. O inquérito demonstrou a articulação que o criminoso tinha, atuando com o auxílio de um traficante preso no Rio, Elieser Miranda Joaquim, conhecido como Criam, e também de seus parentes.

Elias era considerado um preso de bom comportamento e extremamente organizado. Sua cela na penitenciária federal estava sempre impecável. Apesar disso, no ano passado, ele foi punido por uma briga ocorrida durante o banho de sol em Catanduvas. Os seus advogados alegam que Elias não teve qualquer desavença com nenhum preso, mas acabou penalizado apenas por estar presente.

Condenado a uma pena de mais de 60 anos de prisão, Elias já pleiteava sua ida para o regime semiaberto, mas a penalidade acabou sendo um dos obstáculos à concessão do benefício.

Enterro

Elias Maluco foi encontrado morto na última terça-feira. Seu corpo foi enterrado três dias depois, no cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, na Zona Norte.

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