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Transtorno de Ansiedade: Sintomas de dias difíceis ou de uma patologia psiquiátrica?

1) O que são Transtornos de Ansiedade?

2) Principais sintomas de ansiedade

3) Desafios no diagnóstico

4) O que causa a ansiedade?

5) Quais medicamentos são usados contra ansiedade?

6) Tratamentos complementares

7) Cannabis Medicinal no tratamento da ansiedade

8) Origem da Cannabis Medicinal

9) Indicações e contra-indicações da Cannabis Medicinal para ansiedade

10) Utilização da Cannabis Medicinal contra ansiedade

O que são Transtornos de Ansiedade?

Coração batendo forte, sensação de aperto no peito, falta de ar, mãos frias e suor escorrendo pelo rosto. Quanto mais você tenta respirar, menos ar parece chegar aos pulmões. Uma terrível sensação de sufocamento e, por fim, a certeza de que a morte está próxima, inevitável. 

A descrição acima poderia ter sido retirada do capítulo de infarto cardíaco de um livro médico e, de fato, sempre que um paciente chega à sala de emergência com esses sintomas, a primeira coisa que um médico procura identificar é um infarto. No entanto, muitas vezes, o problema não é o coração em si, e todos esses sintomas são na verdade fruto de um ataque de ansiedade que pode simular perfeitamente as sensações de um paciente infartado. Talvez você já tenha sentido o quão desesperador é ter um ataque de pânico ou então, caso nunca tenha sentido, provavelmente conhece alguém que já tenha passado por algo assim, pois os Transtornos de Ansiedade (TA) são o tipo mais comum de transtorno psiquiátrico no mundo, atingindo cerca de 5% da população global. No Brasil, esse número é consideravelmente maior, chegando a 9,3% de acordo com a OMS, fazendo de nós o país com o maior número de ansiosos no planeta.

Ansiedade vem da palavra grega anxius que significa ‘’pouco à vontade’’ ou ‘’desconfortável’’ e também de anguere que significa ‘’apertar’’ e ‘’sufocar’’. Infelizmente, a ansiedade é um mal necessário em nossas vidas. Assim como a dor, ela é uma de nossas melhores amigas evolucionárias, pois nos ajuda a estarmos sempre prevenidos e preparados para situações complicadas. Imagine estar na selva e dar de cara com uma onça-pintada vindo na sua direção. Instantaneamente, nosso corpo assume uma postura alerta, pronta para as duas únicas soluções possíveis para um embate como esse, luta ou fuga. Ou ainda, pensando em situações mais contemporâneas, vale lembrar da sensação que você tem quando está com um trabalho para entregar e vê seu prazo rapidamente se esgotando: seu corpo entra em um estado de alerta e inquietude que impulsiona você a terminar a tarefa. Em resumo, é graças à ansiedade que nosso corpo consegue reagir frente às dificuldades para solucionar um problema. Imagine como seria se, ao ver uma onça se aproximando, você se sentisse tranquilo o bastante para deitar na grama e começar a meditar… ou ainda, se estivesse com um trabalho atrasadíssimo e decidisse começar a maratonar sua série favorita… nenhum desses cenários terminaria bem, por mais que o segundo às vezes esteja se tornado perigosamente comum.

O medo então é nosso amigo. No entanto, o excesso de medo, assim como o excesso de dor, é nosso inimigo e pode ser extremamente prejudicial, produzindo todos os sintomas citados no início do texto que podem até ser confundidos com um infarto. No entanto, para chegar a esse ponto, muitas vezes o paciente já se encontra na fase crônica da de um Transtorno de Ansiedade, tendo acumulado um grão por dia de nervosismo, stress, medo e angústia que, no dia a dia, podem até acabar passando despercebidos.

O que causa a ansiedade?

  • Cansaço
  • Fraqueza e indisposição
  • Insônia e sonolência
  • Intestino preso ou solto
  • Cólicas
  • Irritação
  • Fragilidade emocional
  • Dificuldade de concentração
  • Esquecimento
  • Queimação e azia 
  • Ganho ou perda de peso
  • Aumento ou falta de apetite 
  • Queda de cabelo
  • Dor e tensão muscular

Na verdade, esses são apenas alguns dos sintomas possíveis. E é justamente esse um dos maiores desafios trazidos pelo Transtorno de Ansiedade: muitas vezes, os sintomas são ignorados pelo paciente por parecerem apenas pequenos incômodos, criando a sensação de que “dá para ir levando”, ou ainda por darem margem a falsas associações, como com que o paciente acredite, por exemplo, que está dormindo mal por estar passando por alguma situação difícil em casa ou no trabalho, e acabe tratando insônia, dores e outros desconfortos com medicações pontuais que atacam apenas esses sintomas, sem nunca encontrar de fato a raiz do problema. 

Desafios no diagnóstico

Para chegar de fato ao que está causando um Transtorno de Ansiedade, é crucial consultar um médico, pois seus sintomas são muito inespecíficos e podem ser causados por diversas patologias diferentes. Somente um profissional capacitado  poderá fazer essa identificação que pode ser muito desafiadora, pois existem vários tipos diferentes de Transtorno de Ansiedade, sendo o mais comum de todos o Transtorno de Ansiedade Social, onde o paciente se sente mal em situações nas quais precisa interagir socialmente como na escola, faculdade, trabalho ou mesmo festas, passando a evitar o contato social sempre que possível.

Outros tipos bastante comuns são o Transtorno de Pânico, a Agorafobia (medo de certos ambientes como locais fechados ou espaços lotados), as Fobias Específicas (medo de animais, de agulhas e etc…) e até o Transtorno de Ansiedade Generalizado (que é uma forma muito mais grave de ansiedade). Existem ainda Transtornos de Ansiedade causados por efeitos colaterais de certos medicamentos ou mesmo por outras doenças, que precisam ser investigadas e descartadas, como problemas de tireoide, o que reforça a necessidade de buscar um diagnóstico médico para chegar ao tratamento adequado.


Principais causas

A ciência ainda não chegou a uma explicação definitiva sobre a causa dos Transtornos de Ansiedade. O que sabemos no entanto é que existe um fator genético importante, fazendo com que algumas pessoas sejam mais propensas a desenvolver esse tipo de problema. Estudos mostram que indivíduos sofrem com uma hiperreatividade da amígdala cerebral e de outras estruturas do sistema Límbico que são responsáveis pelo processamento das nossas emoções. Quando confrontados com algum fator estressante, pacientes com ansiedade apresentam um intenso aumento na atividade desses sistemas, muito superior ao de indivíduos saudáveis. Em outras palavras, isso se traduz em uma tolerância muito reduzida a estímulos de stress. Decorrente disso, temos uma constante irritabilidade e variação emocional intensa, mesmo frente a pequenos contratempos do dia-a-dia: coisas como derrubar um mero copo no chão ou ouvir uma criança brincando e fazendo barulho podem se tornar situações insuportáveis, gerando brigas e discussões pelo que parece “não ser nada” para as outras pessoas ao redor do paciente.

Em termos bioquímicos, encontramos em pacientes de ansiedade um grande desequilíbrio em seus neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina e GABA, nomes complexos para elementos que desempenham o papel simples, porém fundamental de transmitir as informações de um neurônio a outro. Se esses “mensageiros cerebrais” estão em falta ou excesso no nosso organismo, ou ainda apenas confusos, levando mensagens erradas aos lugares errados, nossos neurônios perdem a capacidade de comunicação, como acontece nos casos de Transtornos Depressivos.

No entanto, a culpa não está inteiramente nesse desarranjo cerebral, pois os fatores ambientais, ou seja, na nossa vida cotidiana, também são cruciais para o desenvolvimento de um Transtorno de Ansiedade. Um chefe intransigente, problemas no casamento ou com a família, dificuldades financeiras, pressão excessiva nas tarefas do dia-a-dia, problemas de saúde e preocupações com o futuro são apenas algumas das inúmeras dificuldades que qualquer pessoa pode vir a enfrentar. Ainda assim, caso o paciente não consiga criar mecanismos de defesa e equilíbrio para essas questões, e acabar somando a elas fatores agravantes como alimentação inadequada, sedentarismo, álcool e outras drogas, poucas horas de sono, pouco tempo de lazer e tempo de qualidade com a família e amigos, um transtorno psiquiátrico como a ansiedade pode vir à tona, especialmente caso a pessoa tenha predisposição genética.

Quais medicamentos são usados contra ansiedade?

Feito o diagnóstico, muitas vezes é necessário iniciar um tratamento medicamentoso, que pode variar muito, dependendo do tipo de transtorno e do organismo do paciente. Existem diversos tipos de medicações, sendo algumas das mais comuns a sertralina, fluoxetina e escitalopram, que trabalham com os neurotransmissores mencionados previamente, tentando ajustar seus níveis para estabilizar as emoções do paciente. Em certos casos, também é necessário controlar crises agudas com benzodiazepínicos como alprazolam e clonazepam. Todos eles, é claro, devem ser usados com muita cautela devido ao risco de dependência.

Infelizmente, assim como no Transtorno Depressivo e em inúmeras outras patologias psiquiátricas, a taxa de abandono de tratamentos medicamentosos entre pacientes de Transtornos de Ansiedade é grande. Um dos motivos disso é a dificuldade de encontrar o medicamento e a dose adequados para cada paciente, pois estamos falando de uma terapia muito individualizada que requer tempo e paciência para ajustes finos. Mesmo após encontrar o tratamento correto, a melhora não é imediata: são necessários vários dias ou até semanas para que os efeitos começarem a surgir.

Tratamentos complementares

Fora o tratamento medicamentoso, é importantíssimo também que o paciente realize mudanças em seus hábitos cotidianos, criando defesas contra a ansiedade. Melhorar a alimentação, praticar atividade física, dormir bem, evitar fatores estressores, reduzir o consumo de álcool e drogas e passar tempo de qualidade com a família e amigos são todos elementos muito importantes que fazem parte do tratamento, pois a medicação sozinha nunca será suficiente caso a vida do paciente em si esteja desestabilizada. Sempre que possível, também é recomendável fazer acompanhamento psicológico, um processo que nos ajuda a lidar melhor com quem somos e com o mundo à nossa volta. 

Além disso, principalmente quando as terapias convencionais não tiveram o efeito desejado, existem outras formas de terapia que podem ajudar muito, como arteterapia, acupuntura e fitoterapia. Caso esse seja seu caso, é importante se consultar com um profissional qualificado que possa guiar você nesse tipo de tratamento.

Tratamento com Cannabis Medicinal

Nas últimas décadas, imensos avanços vêm sendo feitos no uso da Cannabis Medicinal para Transtornos de Ansiedade. Sendo uma solução relativamente nova no mercado, é importante desmistificar alguns pontos-chave sobre sua origem, indicação e utilização.

Origem da Cannabis Medicinal

Apesar de virem da mesma espécie de planta que produz a maconha, os preparados de Cannabis Medicinal usados no combate à ansiedade têm uma composição bastante diferente. A maconha, que é comumente fumada, possui quantidades variáveis, porém igualmente altas de dois de seus princípios ativos mais importantes, o CBD e o THC. Já o medicamento canabinoide usado para mitigar os sintomas de Transtornos de Ansiedade são concentrados apenas de CBD, com uma porcentagem muito baixa de THC.

Indicações e contra-indicações da Cannabis Medicinal para ansiedade

Embora também tenha inúmeras propriedades medicinais, o THC é um elemento psicoativo, dotado de potencial alucinógeno. Em outras palavras, capaz de causar o famoso “barato”. No caso específico da ansiedade, a presença do THC no organismo do paciente pode servir como gatilho para crises psicóticas e deve ser evitado.

No entanto, o CBD é o princípio ativo responsável apenas pelo efeito de relaxamento do sistema nervoso e, quando administrado da forma e na dose adequadas, tem um imenso potencial de atenuar os sintomas sofridos por pacientes que sofrem com Transtornos de Ansiedade.

Utilização da Cannabis Medicinal contra ansiedade


O uso dos concentrados de CBD para o tratamento de ansiedade é feito por meio de tinturas, que são extratos da Cannabis dissolvidos em uma solução de álcool etílico. Algumas gotas por dia podem fazer uma diferença enorme na vida de pacientes que há anos sofrem de ansiedade. No entanto, chegar à dose certa dessas “algumas gotas” não é um processo simples, o que torna crucial o acompanhamento de um profissional experiente no tratamento desse tipo de transtorno com canabinoides que possa fazer uma análise detalhada do paciente para atender às suas necessidades.

Como encontrar um médico especializado?

Infelizmente, estima-se que apenas 1% dos 466 mil médicos no Brasil possuem especialização para prescrição de tratamentos com Cannabis Medicinal. Desse total, 42% estão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Felizmente, para resolver esse problema, surgiram nos últimos anos centros de excelência com médicos especializados. Um deles é a Medicina.In, onde você pode realizar consultas on-line em no máximo 48h com médicos especializados com anos de experiência que poderão avaliar seu caso.

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