Saúde

Saúde da mulher e HPV: como se prevenir

Salvador, março de 2022 — De acordo com os dados epidemiológicos do primeiro semestre de 2021 do Ministério da Saúde, o HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus presente em cerca de 54% da população feminina brasileira pesquisada. E o papilomavírus é responsável por 99% dos casos de câncer no colo do útero, afirma o estudo. Neste dia 08 de março, uma mensagem de alerta é necessária para conscientizar as mulheres de que o cuidado com a saúde deve ser constante e que este tipo de câncer é um dos únicos que se pode prevenir por meio da vacinação.

O HPV é um vírus que tem como principal forma de transmissão o ato sexual. Diferente do que se pensa, o papilomavírus é tão contagioso que apenas o contato com a região contaminada é suficiente para infecção, ainda que não haja penetração. Além do câncer no colo do útero, o HPV pode ampliar a possibilidade do câncer de garganta, de pênis e do canal anal. O sintoma visível principal é a verruga nas genitais, que carregam uma alta concentração do vírus. Outro sintoma é a alteração no colo do útero, que é detectada pelo exame preventivo.

A vacina do HPV é quadrivalente, ou seja, protege contra as quatro principais variantes do vírus, sendo duas que causam as verrugas e as outras duas que causam câncer. De acordo com Sylvia Lemos, infectologista do Laboratório Leme, da Dasa, a maior rede integrada de saúde do país, a vacinação é fundamental para que se reduza a difusão do vírus. “É importante se estar atento que após a pessoa ser infectada pelo vírus do HPV, surge a formação de pequenas verrugas semelhantes a uma pequena couve-flor, que podem provocar coceira, principalmente na região íntima. No entanto, as verrugas podem aparecer noutros locais do corpo como boca ou ânus, caso se tenha realizado sexo oral ou anal desprotegido com uma pessoa infetada”, afirma a médica.

Outro ponto que Sylvia explica é a faixa etária para se imunizar. Na rede pública de saúde, a vacina é oferecida para pré-adolescentes, entre 9 e 14 anos. Já na rede particular esse limite passa para 45 anos mulheres e 26 anos homens. Não se trata de uma vacina curativa, isto é, uma vez contraído o vírus, a vacina não atua nele, mas imuniza contra as outras principais variantes.

“Por se tratar de infecção viral, não existe um medicamento específico (antiviral) que possa levar à cura, e por isso o tratamento é feito com o objetivo de retirar as verrugas. Daí a importância da prevenção sexual com o uso de preservativos e principalmente a vacinação”, reforça a infectologista.

Uma dúvida muito comum entre as mulheres é a relação entre o HPV e a fertilidade. De acordo com Lemos, a dificuldade encontrada é que o HPV pode alterar o colo do útero e impedir a nidação, que é o processo inicial da gestação, quando óvulo fecundado vai se instalar no endométrio, onde se desenvolve o bebê. Isso amplia o risco de abortamento. Por outro lado, o vírus não afeta diretamente o feto, quando a gravidez consegue avançar.

O HPV tem controle e não é um impeditivo para a relação sexual, desde que seja com uso de preservativo. A infectologista também indica como a medicina lida para controlar o vírus: “A vacina contra o HPV (papiloma vírus humano), tem como função prevenir doenças causadas por este vírus, como verrugas genitais, lesões pré-cancerosas e câncer do colo do útero, vulva, vagina ou ânus. Esta vacina é aplicada na forma de injeção, sendo recomendada para meninas de 9 a 14 anos, e meninos de 11 a 14 anos, assim como para mulheres de 45 anos, e homens de 26 anos, que tenham HIV ou AIDS, ou que receberam transplante de órgãos, de medula óssea e pessoas em tratamento contra o câncer”.

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