Cotidiano

Quais os impactos da taxa de juros nos investimentos?

Indicador afeta a rentabilidade e deve ser considerado na hora de escolher o tipo de aplicação.

Os investidores interessados em saber qual é a rentabilidade de uma aplicação ao longo do tempo devem conhecer as variáveis que impactam o comportamento dos investimentos. Entre elas está a taxa básica de juros.

Definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) tem influência sobre as aplicações financeiras, os financiamentos e os empréstimos.

A Selic também atua diretamente no controle da inflação. Considerada o principal instrumento de política monetária do Banco Central (Bacen), a sua variação acompanha os movimentos da economia nacional. Quando a instituição precisa diminuir a inflação, eleva a taxa de juros a fim de encarecer os custos para o consumo, forçando a redução do índice inflacionário.

Na prática, isto significa que os investimentos com rendimento atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – e à própria Selic são impactados pela oscilação dos juros. Na lista entram, ainda, as aplicações que remuneram com base na taxa DI, que mantém valores próximos da Selic.

Investir no Tesouro Direto é um exemplo. Os títulos públicos são aplicações de renda fixa emitidas pelo Governo Federal. A remuneração pode estar atrelada à Selic ou ao IPCA. Dessa forma, o retorno financeiro do investidor está associado ao comportamento de ambos. 

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) também são investimentos de renda fixa que sofrem interferência da Selic. Os papéis são emitidos por instituições financeiras e remuneram um percentual da taxa DI, que acompanha as variações da taxa básica de juros. 

A DI é utilizada pelos bancos para taxar o empréstimo de dinheiro entre si, a partir de determinação do Bacen, para que todas as instituições bancárias brasileiras finalizem o dia com caixa em saldo positivo. 

As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) são outros exemplos de investimentos de renda fixa com o rendimento associado à variação da Selic. Em todos esses casos, quando a taxa de juros está alta, o retorno financeiro é maior.

Renda variável e poupança

Não são apenas os investimentos de renda fixa que são influenciados pela oscilação da Selic. Na renda variável, as ações das empresas listadas na Bolsa de Valores (B3) também sentem os impactos da alteração dos juros.

No entanto, o movimento é inverso ao observado na renda fixa: o cenário de queda dos juros favorece o crescimento das empresas e, consequentemente, a valorização dos ativos. 

A remuneração da caderneta de poupança também acompanha a taxa básica de juros. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento é de 0,5% ao mês mais a taxa referencial. Se está abaixo, o retorno é de 70% da Selic mais a TR.

Projeção

A taxa básica de juros Selic está fixada em 11,75% ao ano, conforme definido pelo Copom. Segundo o Relatório do Boletim Focus, a projeção é que ela seja gradativamente reduzida, chegando a 8,5% ao ano em 2026.

Tipo de juros nos investimentos: prefixados, pós-fixados e híbridos

Existem três tipos de juros aplicados aos investimentos. Os prefixados são usados em várias aplicações de renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto prefixados, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), os Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), os CDBs, entre outros.

Com esse tipo de juros, antes mesmo de investir, o interessado sabe qual remuneração terá dentro do prazo estipulado para o investimento. Isso significa que a taxa não passará por alterações ao longo do tempo.

Já com os juros pós-fixados, a rentabilidade sobre o dinheiro aplicado depende das variações da inflação ou da Selic. É o que acontece nas aplicações em LCAs, LCIs, Tesouro IPCA e Tesouro Selic. O parâmetro de rentabilidade fica estabelecido, mas o investidor não tem como saber exatamente qual o valor dele, uma vez que as taxas  mudam ao longo do tempo. 

Os juros híbridos misturam as dinâmicas dos prefixados e dos pós-fixados. Dessa forma, é possível contar com um retorno fixo somado a um valor variável. Essa categoria costuma ser escolhida por quem deseja proteger o patrimônio da inflação e, mesmo assim, contar com algum ganho real.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios