Cotidiano

PSDB estipula limite para 'bondades' da gestão Temer

AECIO E MICHEL TEMMERO PSDB pressiona o governo interino de Michel Temer para que deixe de fazer concessões no controle dos gastos públicos após a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado. Representantes de todas as alas da legenda defendem reformas macroeconômicas e uma gestão mais austera das contas do governo a partir de setembro, quando Temer deverá ser efetivado na Presidência.

Na quarta-feira (3) o senador José Aníbal (PSDB-SP), suplente do ministro das Relações Exteriores, José Serra, combinou, em conversa pela manhã com o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), o tom do discurso que fez horas mais tarde no Senado em defesa de um ajuste fiscal intransigente. Para Aníbal, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve ser inflexível e evitar novas “bondades” como as concedidas ao Poder Judiciário, ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público nos Estados.

A insatisfação no PSDB ficou mais evidente após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter defendido a candidatura de Temer à reeleição em 2018 em entrevista publicada no domingo. A pessoas próximas, Aécio reclamou do que considera “leniência” e “flexibilidade” do governo no ajuste das contas.

Nos 83 dias de gestão interina, as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado ficaram praticamente sozinhas na crítica à aprovação de reajustes do funcionalismo público que superam os R$ 50 bilhões de impacto até 2019 em meio à crise fiscal. “É um governo em campanha ou para passar para a história?”, questionou Aécio em conversa recente com interlocutores.

O presidente nacional do PSDB deve tratar desse assunto na próxima semana com Temer. Aécio, que na segunda-feira recebeu um telefonema do presidente em exercício – no qual Temer negou a intenção de ser candidato ao Planalto em 2018 -, tem afirmado que não se preocupa se o peemedebista vai disputar a Presidência em 2018. Um dos vice-presidentes do PSDB, o ex-governador paulista Alberto Goldman também defende uma postura mais firme da gestão Temer no controle das contas públicas. “Compreendo a cautela do presidente, mas, na minha opinião, é cautela demais.

Ele está temeroso demais com a pressão das corporações”, disse Goldman, da ala serrista do partido. Para o tucano, o próprio PSDB deve ser mais firme nas cobranças ao Palácio do Planalto. “É óbvio que precisamos de uma gestão mais austera”, disse o deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), outro tucano serrista. “Mas não tem como ter o voluntarismo de dizer que vai fazer tudo de uma vez”, ponderou.

O PSDB adotou o discurso crítico ao Palácio do Planalto após o governo, mais uma vez, ceder no projeto da renegociação dos débitos com Estados e municípios e da aprovação em comissão do Senado da proposta que reajusta os subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com efeito cascata nos governos regionais. Na prática, a ala liderada por Aécio fala em apoio crítico ao presidente em exercício, mas há quem cogite um eventual afastamento do governo se ações concretas não forem tomadas.

Líderes ligados a Alckmin e a Serra dizem não ser possível se dissociar da gestão comandada por Temer, a quem o partido apoiou para derrubar Dilma. Mas também cobram medidas efetivas. Embora de maneira discreta, Serra tem feito críticas internas à combinação de juros altos com expansão dos gastos. Dos três “presidenciáveis” tucanos, Aécio foi quem mais hesitou em aderir ao governo Temer.

Estadão

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