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Presença constante de noiva de Lula incomoda petista

Aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão incomodados com a forma como a noiva do pré-candidato ao Planalto, a socióloga Rosângela da Silva, 55 anos, conhecida como Janja, está participando da pré-campanha.

Além de eventos públicos, ela também tem ido a reuniões fechadas da articulação petista, onde opina nas discussões.

No último sábado (7), Lula lançou sua pré-candidatura. Só 3 pessoas, além dos mestres de cerimônia, falaram no palanque: o próprio ex-presidente, o vice da chapa, ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), e Janja.

O ato foi entendido por aliados do petista como uma demonstração da influência da socióloga. Ela apresentou uma nova versão do jingle “Sem medo de ser feliz”, o “Lula lá”, lançado originalmente para a eleição de 1989.

A produção executiva do relançamento é creditada a ela e a Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do ex-presidente. Segundo Janja, o novo jingle foi um presente de casamento. A união dela com Lula está marcada para 18 de maio.

Em outra fala pública, no fim de abril, Janja indicou que pretende tocar projetos na área de segurança alimentar no governo caso Lula seja eleito. É comum primeiras-damas lidarem com assistência social.

A socióloga demarca um terreno político onde provavelmente atuará caso Lula vença a disputa em outubro.

Às vezes, mesmo sem declarações públicas, pessoas no entorno do ex-presidente reparam o dedo de Janja em compromissos de pré-campanha.

Em ao menos duas ocasiões ela se mostrou descontente com o tumulto em torno do petista –a bagunça de apoiadores rodeando Lula nas aparições públicas é um dos pontos marcantes do jeito de o ex-presidente fazer política.

Na semana passada, Lula, Janja e diversos integrantes do PT foram à Unicamp e a um bairro de Sumaré, no interior de São Paulo. Diante da aglomeração em torno do noivo, Janja pediu que as pessoas se afastassem.

No fim do ano passado, o Prerrogativas, grupo de advogados ligados ao campo da esquerda, organizou um jantar onde pela 1ª vez Lula e Alckmin foram vistos juntos depois do início das conversas para a formação da chapa presidencial.

O evento, no restaurante A Figueira Rubayat, em São Paulo, estava lotado. Janja se mostrou descontente com a fila de pessoas que abordava o ex-presidente na mesa para cumprimentá-lo. Pediu que os seguranças não deixassem mais ninguém se aproximar.

Segundo aliados de Lula, nesses momentos ela mostra ter gênio forte. Também fica explícita uma preocupação que, além dela, outros petistas também têm: a segurança física do ex-presidente.

Palanques e reuniões

Lula esteve nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Contagem e Juiz de Fora nesta semana. Nos 3 lugares, Janja pegou o microfone para cantar o jingle repaginado.

As reuniões fechadas das quais ela participa, em geral, são as da coordenação da pré-campanha de Lula, onde só há petistas. Costuma colocar suas opiniões e tem o respaldo do ex-presidente para isso.

A partir da próxima semana, a pré-campanha de Lula deve entrar em nova fase. Os partidos aliados indicarão representantes para um conselho político, do qual derivará os comitês mais operacionais –responsáveis por comunicação, agenda e outras áreas.

Casamento marcado

O ex-presidente tem falado, nos seus discursos, sobre amor. Usa como exemplo a proximidade de seu casamento. Diz que está apaixonado e que na sua situação não há como se pautar pelo ódio.

Poder360 conversou sob condição de reserva com diversos políticos próximos ao ex-presidente. Mesmo os que relataram desconforto com a influência de Janja disseram que ela tem feito bem a Lula, do ponto de vista pessoal. Falam que ela anima o petista.

“Eu consegui a proeza de, preso, arrumar uma namorada e ela ainda aceitar casar comigo”, disse o ex-presidente ao deixar a prisão, em novembro de 2019.

Eles teriam se conhecido em caravanas do PT nos anos 1990 –ela é filiada à legenda desde 1983.

Lula contou, em diversos discursos, que Janja enviava refeições para ele na cadeia e o visitava com frequência. A socióloga participou da vigília em favor de Lula montada como um acampamento em frente à Polícia Federal, em Curitiba.

A cerimônia foi marcada para 18 de maio, em São Paulo. A expectativa é que haja poucos convidados, para não haver risco de o evento se tornar um ato político. O local e o horário também são mantidos sob sigilo.

Um dos que deve estar presente é novo no círculo lulista. Trata-se de Geraldo Alckmin, que passou de adversário político a companheiro de chapa de Lula em um ano.

Ele e Janja se deram bem. Circula no meio político a possibilidade de Alckmin ser padrinho do casamento.

Poder360

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