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Pneumologista alerta para o perigo das doenças respiratórias em viagens aéreas

O crescimento do número de pessoas que usam aviões elevou também as ocorrências de urgências médicas e de mortes durante as viagens. A pneumologista Larissa Voss Sadigursky alerta para os perigos e cuidados das doenças respiratórias em viagens de avião.

Com tantos detalhes para se preocupar na hora da viagem, a saúde acaba sendo esquecida e muitos pacientes viajam sem tomar as devidas precauções. “Para quem vai fazer viagens longas, todo cuidado é pouco, pois a má condição atmosférica nas alturas aliada à baixa umidade relativa do ar favorece o aparecimento ou agravamento de diversos problemas de saúde”, alerta a Pneumologista.

De acordo com a revisão científica de 14 estudos, que considerou 4.055 casos, publicada no “Annals of Internal Medicine” por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, viagens longas aumentam em até três vezes o risco de tromboembolismo venoso, condição que pode envolver trombose venosa profunda e embolia pulmonar. 

O tromboembolismo venoso (TEV) é caracterizado pela formação de coágulos de sangue no interior das veias, bloqueando de forma parcial ou total a passagem do sangue. Ela é uma doença decorrente de condições diversas, adquiridas ou congênitas, e dentre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do TEV estão aumento da idade, obesidade, cirurgia e trauma, câncer, gravidez e pós-parto, tabagismo, viagem de avião, varizes e uso de alguns hormônios. 

O risco é maior para quem já sofre de doenças respiratórias. O paciente fica sujeito a crises de asma, rinite ou ao agravamento da doença pulmonar obstrutiva crônica que inclui bronquite e enfisema. “É recomendado que pessoas com estes problemas, além daquelas que possuem histórico de trombose, embolia pulmonar, doenças nos pulmões, sobretudo as que necessitam de oxigenoterapia domiciliar prolongada, ou que foram recém-operadas procurem seu médico antes de viajar. Vale também lembrar que é sempre importante que os remédios de uso contínuo, principalmente, as famosas bombinhas, estejam na mala de mão”, destaca a Médica.

Entre os exames recomendados para afastar possíveis riscos de complicações durante o voo estão a avaliação da função respiratória, através de testes de caminhada, da oximetria não invasiva e de exames para aferição da capacidade respiratória, que são considerados fundamentais para que o paciente viaje com segurança. A avaliação da oxigenação sanguínea, também é importante, ela é realizada com testes que simulam grandes altitudes e servem para triar pacientes que apresentam maior risco de redução da oxigenação sanguínea a níveis considerados críticos e que necessitam, portanto, de oxigênio contínuo durante o voo.

De acordo com estudos realizados, a asma brônquica é a doença respiratória mais comum entre passageiros de avião; além disso, o ar seco complica também casos de alergias e rinites. A queda da oxigenação sanguínea em viagens de avião pode causar tonturas, náuseas e até a perda de consciência. Em voos noturnos, a redução da mobilidade aumenta o risco de trombose na perna e até de embolia pulmonar.

A pneumologista Larissa explica que é preciso tomar cuidados no momento do voo. “Fazer constantes movimentos com os pés para bombear o sangue dos membros inferiores, caminhar durante a viagem, ingerir água, evitando a desidratação, dar preferência aos voos diurnos e evitar a ingestão de bebida alcoólica. Antes do voo é importante também consumir alimentos leves e beber bastante líquido.

 “Apesar de todos esses riscos, não existem razões para que os pacientes que sofrem de doenças respiratórias desistam de viajar de avião. Basta que os riscos sejam minimizados procurando um médico para prevenção e tratamento antes, durante e depois das viagens”, conclui a Pneumologista.

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