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Papel de agenciador em leilão de virgem é crime, afirma MP

Para o Ministério Público, o caso de Rebeca Bernardo,  a virgem de Sapeaçu que decidiu leiloar  a ‘primeira vez’ na internet, não vai de encontro à lei. “O caso dela, que é maior de idade e livre, não se enquadra nem como prostituição nem como comércio”, afirmou ao A TARDE Sônia Suga, promotora de justiça da comarca de Conceição do Almeida e substituta em Sapeaçu.

Por outro lado, segundo a análise da representante do Ministério Público, a ilegalidade diz respeito ao papel de agente intermediário. Isso porque o leilão vem sendo intermediado por Mateus Souza, amigo de Rebeca que também se identifica como assessor dela. “Por isso, pode haver problemas com a lei”, alerta a promotora.

Sônia Suga lembra que o tráfico de partes do corpo humano é crime, e, no caso da estudante baiana, a conduta passível de punição é a de quem faz a intermediação do leilão da virgindade dela.”De acordo com o código penal brasileiro, tirar proveito da conduta alheia é um crime chamado de rufianismo”, explicou a representante do MP. Rufianismo é o tipo penal previsto no Artigo 230. A pena de reclusão vai de um a quatro anos, além de multa. Desinformado quanto à ilegalidade de seu papel, Mateus vê o caso com naturalidade.

“Estou apenas ajudando. A ideia partiu dela. Depois que o leilão acabar, ela não vai se prostituir. Ela quer apenas melhorar de vida e ajudar a mãe, dona Divinalva, de 59 anos, que teve dois derrames”, justificou.

Arremate próximo – Mateus confirma que o leilão propagandeado pela amiga no site Youtube já começa a render ofertas. Um lance de R$ 60 mil é o maior recebido até o momento pela virgem de  Sapeaçu, cidade do Recôncavo distante 155 quilômetros da capital. A oferta é de um empresário de 38 anos, de Salvador.  “Nossa contraproposta foi de R$ 100 mil, mas se chegarmos a R$ 70 mil, fechamos”, afirmou Mateus.

Segundo ele, um outro empresário de Salvador  convidou Rebeca para ser garota-propaganda de um comercial de fraldas descartáveis. “Ele disse que pagaria R$ 2 mil para ajudá-la, fora o cachê pelo comercial. Estamos estudando”,  diz o agente.

Sem beijos e abraços – O assessor da estudante já está criando regras para aquela que será a primeira vez da jovem, que acontecerá na Bahia, mas longe de Sapeaçu. “Fora daqui. Junto com um advogado estamos preparando um contrato. Não terá beijos e abraços, apenas o ato, mas com uso de preservativo e os dois passarão por uma série de exames antes”.

Alvo de piadas e julgamentos populares na cidade, Rebeca lembra que está fazendo isso pela saúde da mãe. “Algumas pessoas acham que estou me prostituindo. Não vejo assim, pois não faço programa”, defende-se. Amélia dos Santos, vizinha, diz que a jovem e a mãe passam necessidades. “É uma vida difícil. Sem pai, sem trabalho e a mãe doente”.

Texto: Cristina Pita

Foto: Priscila Braga

 

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