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Obesidade na infância e adolescência cresce e cirurgia bariátrica tem sido opção de tratamento

cirurgia-bariatrica-adolescenteConsiderado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo, a obesidade infantil e na adolescência tem crescido de forma progressiva. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 14,3% das crianças e adolescentes brasileiros sofrem da doença. Os índices se tornam ainda mais preocupantes por que estudos atestam que mais de 2/3 desse percentual serão adultos obesos. Recentemente, o Ministério da Saúde do Brasil divulgou a redução da idade para realização da cirurgia bariátrica pelo SUS para 16 anos. Embora contestada, a medida tem sido a cura para muitos jovens que sofrem com obesidade e suas tantas outras patologias associadas como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol, triglicérides elevados) e problemas psicológicos como depressão, diminuição da autoestima e desvios de comportamento.

Uma alimentação adequada e o estímulo à prática de exercícios podem evitar a obesidade na infância. No entanto, manter uma criança distante de uma dieta rica em gorduras, hipercalórica, do uso exacerbado de jogos eletrônicos e condicioná-la a exercícios físicos diários não é tarefa fácil. Prova disso é que a OMS vem solicitando aos governos um controle mais rígido nas propagandas de alimentos como sanduíches, fast-foods e refrigerantes, além de desenvolver campanhas para uma dieta mais saudável nas escolas.

Contudo, às vezes as práticas não são exitosas e a criança obesa se transforma em um adolescente com obesidade. Nesses casos, a depender da gravidade da doença, é recomendada a cirurgia bariátrica nos jovens a partir de 16 anos.  Especialista em Obesidade e Cirurgia Bariátrica, o cirurgião Osiris Casais, explica que as doenças psicossociais associadas agravam ainda mais a obesidade na infância e adolescência. “Dificuldade de aprendizado, isolamento social, bullying, depressão são alguns exemplos. Em muitos casos a cirurgia bariátrica é uma ferramenta importante no tratamento”, diz, reforçando que a medida foi contestada por algumas entidades médicas, mas em alguns casos é extremamente necessária.

“Para OMS a idade mínima para realização da cirurgia bariátrica sempre foi 16 anos. O SUS é que fazia apenas a partir dos 18”. Ele explica que a decisão é apenas uma tentativa de diminuir a incidência da obesidade no país. “É fundamental oferecer aos pacientes obesos, sejam eles adolescentes ou adultos, melhores hospitais e serviços especializados e de qualidade. Tratamento de obesidade não é apenas o ato cirúrgico. Nos casos de cirurgia é preciso acompanhamento profissional antes e depois da cirurgia”, destaca o cirurgião.

As cirurgias mais utilizadas no tratamento da obesidade na infância e adolescência são o Bypass Gástrico Laparoscópico, a Gastrectomia Vertical e a Banda Gástrica Ajustável. Contudo, o especialista destaca que o mais importante é um acompanhamento psicológico adequado e a participação dos pais no pré e pós-cirúrgico. “O sucesso do tratamento depende de vários fatores, mas podemos enumerar os dois principais: a ajuda e comprometimento dos pais e um bom acompanhamento da equipe multidisciplinar”, frisa.

Crianças que possuem pessoas obesas na família possuem mais chances de ter o problema na adolescência. Nesses casos os pais devem procurar um nutricionista que poderá indicar medidas que irão evitar o acréscimo de peso. O especialista, que há 14 anos realiza o procedimento salienta que os pais possuem papel fundamental na prevenção dessa grave doença na infância ou no seu tratamento na adolescência. “Em muitas ocasiões um sanduíche, ou uma pizza é utilizado para substituir uma refeição mais saudável. Filhos de pais obesos fatalmente serão obesos. Portanto, a educação alimentar precisa iniciar na própria casa”, enfatiza.

Fotne: Pé da Letra comunicação /Camila Vieira 

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