Cotidiano

Novo presidente do Peru nomeia simpatizante de terrorismo como primeiro-ministro

O novo presidente peruano, Pedro Castillo, provocou uma crise logo no seu primeiro dia de governo. Ele nomeou para primeiro-ministro Guido Bellido, um deputado simpatizante do grupo terrorista Sendero Luminoso, que matou mais de 70 mil pessoas nas décadas de 1980 e 1990.

Quem esperava algum gesto de moderação de Castillo, ficou chocado. Segundo declaração ao jornal Financial Times, o consultor de risco político Rodolfo Rojas classificou a decisão do novo presidente um “desastre”. “Em 24 horas, o capital político de Castillo virou fumaça”, disse Rojas. “Você simplesmente não pode tocar no nome do Sendero Luminoso no Peru. Foi uma seita terrorista sangrenta e suas ações estão absorvidas na psicologia dos peruanos”.

“A decisão de nomear Bellido como primeiro-ministro foi politicamente estúpida”, avaliou a cientista política Paula Muñoz. “Foi desnecessariamente beligerante num momento em que o país precisa realmente de um mínimo de governabilidade em seguida a uma eleição tão polarizada”.

Impactos na economia e na política

Em reação à notícia, a moeda nacional Sol desabou  12% frente ao dólar e a bolsa caiu 6%. Castillo nomeou também dois ex-guerrilheiros como ministro do Exterior e como ministro das Minas e Energia. Jornalistas foram proibidos de entrar no teatro onde os ministros tomaram posse.

O partido de Pedro Castillo, Peru Libre, de tendência marxista-leninista, tem apenas 37 das 130 cadeiras do parlamento. Suas decisões iniciais afastaram os políticos da esquerda moderada e já se fala em impeachment. A legislação peruana facilita o afastamento de presidentes, e dois deles já foram retirados do cargo nos últimos 3 anos.

Revista Oeste

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