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Lula defende transparência e fim de sigilos que o governo impõe para esconder mal feitos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a prática do governo Jair Bolsonaro de impor sigilo de 100 anos para assuntos que ele não quer que sejam investigados e afirmou que, se eleito, fará no primeiro dia de governo um “revogaço” de todos os decretos dessa natureza. Ele lembrou de instrumentos criados em seu governo, como Lei de Acesso à Informação e a Lei da Transparência, que deixavam a sociedade saber de tudo o que acontecia em sua gestão.

“O que está acontecendo no Brasil é uma confusão criada pelo presidente da República. Ele agora pegou a mania de qualquer bobagem que ele faz ele decreta sigilo de 100 anos. Ele diz que não tem corrupção no governo dele, mas ele sigilou as coisas do filho dele por 100 anos, sigilou as coisas do Pazuello por 100 anos, sigilou a questão do Queiroz por 100 anos. Ou seja, qualquer trambique que aconteça no governo é sigilo de 100 anos. Por isso é que digo que vai ter um revogaço no meu primeiro dia de governo. Vou revogar todos os decretos de sigilo de 100 anos porque não há possibilidade. Se o cara roubou não tem que demorar 100 anos para investigar. Investiga agora. Faça como nós fizemos”.

O ex-presidente contou que em seus governos a questão da transparência era tratada com carinho e as denúncias investigadas. “No meu governo a gente tinha lei. A Lei de Acesso à Informação, que a gente dava informação de tudo, as pessoas sabiam. A gente cuidava disso com carinho. A gente tinha a Lei da Transparência. As coisas funcionavam. Se tivesse denúncia a gente apurava, se tivesse alguma coisa errada a pessoa pagava. É assim que se faz. Depois da quadrilha que foi montada para comprar vacina, recebendo um dólar por cada vacina comprada, você decreta sigilo de 100 anos, onde vamos parar? Nós vamos fazer diferente”.

Restabelecer a normalidade

Lula também comentou sobre os poderes do Congresso Nacional, atualmente, com gestão sobre o Orçamento e poder de liberar dinheiro sem falar com os ministros, e disse ser preciso brigar e conversar muito para fazer com que o país volte à normalidade.  

 “O Congresso se apoderou do Orçamento da União. Às vezes têm mais dinheiro do que o próprio presidente da República para fazer investimento. Então, uma das coisas que vamos ter que brigar e conversar muito é que precisamos restabelecer a normalidade. A normalidade do funcionamento do poder judiciário, a normalidade do funcionamento do poder executivo e a normalidade do funcionamento do Congresso Nacional. São três coisas chaves. Primeiro, o tribunal julga, de acordo com a Constituição brasileira, para manter o regime democrático. O presidente da República executa, porque foi para isso que ele foi eleito, e o Congresso legisla”.

Para o ex-presidente, o Congresso Nacional é a cara da visão política que a sociedade tinha no dia do voto e a eleição de 2018 foi nervosa, com base em mentiras e denúncias falsas. “Eu, inclusive, estava preso. Tomaram a decisão de me prender porque sabiam que eu ganharia as eleições de 2018. O que estamos colhendo hoje é isso”.

Lula contou que, na cadeia, se preparou para ser melhor e enfrentar e desmascarar os acusadores e que teve a sorte de se apaixonar na cadeia, o que o deixou com o coração mais leve. “Tive a sorte e fui ficando apaixonado dentro da cadeia. Meu coração foi ficando mais leve. Em vez de ódio, em vez de vingança, eu falava, vamos tocar o barco para frente.  Não posso ficar sabendo quem é que me vez o mal, quero é evitar que o povo continue sendo vítima desse mal”.

O ex-presidente destacou perdas para o Brasil com a Lava Jato, como redução de 4,4 milhões de postos de trabalho na indústria de óleo e gás e menos R$ 170 bilhões em investimentos e outros tantos em impostos que deixaram de ser arrecadados e que poderiam ter sido investidos em saúde e educação.

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