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Ex-atacante que enfrentou o Barça no Camp Nou vira porteiro em PE

O ex-atacante Maurício Leandrino da Silva, conhecido como Maurício Pantera, é um exemplo de que o futebol vai muito além dos gramados. Ele já jogou o Campeonato Espanhol, enfrentou o Barcelona no Camp Nou com Ronaldo Fenômeno e Pep Guardiola em campo, defendeu Santa Cruz, Sport e Grêmio, e hoje trabalha como porteiro em um edifício em Recife, Pernambuco.

Em entrevista ao Globoesporte.com, Pantera contou os bastidores da carreira dele como jogador até chegar na portaria.

Das peladas do bairro Alto José Bonifácio, Maurício foi para a base do Santa Cruz. Na Copinha de 1996, ele marcou quatro gols e foi o destaque do time, sendo promovido logo depois para o elenco profissional, pelo técnico Péricles Chamusca. Mas foi com Abel Braga que ele deslanchou.

“Ele foi um pai pra mim. Me chamou, disse que ia me utilizar e que eu jogasse meu futebol sossegado”, lembra.

Maurício brilhou no Santa e o rival Sport tentou contratá-lo por empréstimo. “Por causa da rivalidade, não deixaram. Seria importante até para me valorizar mais, mas não aceitaram. Na minha opinião, eles (Santa Cruz) foram burros”, conta.

As boas atuações de Maurício chamaram a atenção do Compostela, que hoje está na segundona do Espanhol, mas na época estava na elite. Os espanhóis o contrataram por R$1,3 milhões, mas o ex-jogador disse que não recebeu o que deveria receber pela negociação.

“Era para eles (Santa Cruz) terem me dado R$130 mil reais, mas só recebi R$ 30 mil”, lembra.

Ele estreou no Campeonato Espanhol contra o Barcelona, em 1996. “Minha estreia foi no dia 12 de outubro de 1996, num jogo contra o Barcelona, aquele que Ronaldo passou por todo mundo e fez o gol. Quando ele começou a correr, todo mundo gritava: ‘Pega! Pega!’ Vai pegar como? Eu estava no banco e fiquei de boca aberta. Quando virei, meu técnico, os outros jogadores estavam se olhando sem acreditar. Tive a chance de enfrentar o Barcelona no Camp Nou e troquei uma ideia com ele (Ronaldo), disse que ele era fera demais. Cara simples, gente boa”, contou Pantera ao Globoesporte.com.

Como não conseguiu se adaptar na Europa, Maurício foi emprestado ao Grêmio, que procurava um nome para substituir Jardel. “Cheguei com um peso muito grande nas costas, mas consegui fazer uns golzinhos. Foram nove no campeonato gaúcho e depois perdi espaço”, lembra.

Depois do Tricolor Gaúcho, ele foi emprestado novamente, desta vez para o Sport Recife, onde chegou como craque. “Subiu para cabeça. Gostava de festas, sair, namorar… quem não gosta?”, diz.

Maurício volta ao Compostela, cumpre mais três anos de contrato, e volta ao Brasil, onde assina com o ABC. Ele não consegue se firmar, roda por vários clubes, e vai para o Santa Cruz do Rio Grande do Norte, onde encerra a carreira.

“Eu tinha acabado de chegar do Santa Cruz de Natal e meu irmão, que já é porteiro há muito tempo, disse que um supervisor chamou ele para tirar quatro plantões, ele não podia e me indicou. Aí, eu fui, cheguei lá e comecei a trabalhar de frente aos Aflitos, um estádio onde já tinha feito vários gols na minha carreira”, lembra ele, que transformou o trabalho temporário em sua nova profissão.

Quando jogou na Europa, Maurício recebia R$ 18 mil por mês, como pontuou o Globoesporte.com. Hoje, como porteiro, ele fatura um salário mínimo: R$ 954.

“É o que quero fazer daqui para frente. Estou adaptado e feliz. O futebol me deu muitas alegrias e continuo alegre. Tenho que ser agradecido, pois não precisei pedir nada a ninguém. Meu futuro é nessa profissão, é daqui que tiro o sustento dos meus filhos. Entregar na mão de Deus e que seja para sempre”, finalizou.

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