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Escola de samba Beija-Flor recusa R$11 milhões por enredo sobre Ronaldo Fenômeno

RONALDO FENOMENOA escola de samba carioca Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã do carnaval, fez um anúncio polêmico. Nos carnavais de 2014 e 2015, a escola foi duramente criticada por ter enredos supostamente patrocinados. O tema “Um Griô Conta a História: Um Olhar sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial”,  se sagrou vitorioso; e o anterior, “Boni, o Astro Iluminado da Comunicação Brasileira”, ficou em sétimo lugar. Agora, Laíla, diretor de carnaval da agremiação decidiu mudar seu ponto de vista e os rumos da escola para o carnaval de 2016.
A escola anunciou, nesta segunda-feira (09) que contará a história do Marquês de Sapucaí na próxima folia de momo. “Faremos um Carnaval sem dinheiro de ninguém. Só com o que a Liesa dá a cada escola. Nem o Anízio (Abrahão David, patrono da escola) colocará um centavo. Chega. Cansei de tomar porrada também. Recusei R$ 11 milhões da Nike para fazer um enredo sobre Ronaldo Fenômeno. Nem pelo c… que eu vou fazer isso. Quero acabar com essa situação de ficar apanhando. Vamos resgatar a essência do Carnaval, aquilo que aprendi no Salgueiro nos anos 50, 60 e 70, com Fernando Pinto, Arlindo Rodrigues, Fernando Pamplona, Rosa Magalhães, e até mesmo com o Joãozinho”, revelou o diretor em entrevista ao jornal carioca o Dia.
O diretor de Carnaval da Beija-Flor ainda avisou que as fantasias serão menores, menos luxuosas, mais baratas e confortáveis. E que o gigantismo dos carros alegóricos chegou ao fim. A escola de Nilópolis quer valorizar o que tem de melhor. “Nossa comunidade come asfalto durante os ensaios. Mas não dá para cobrar do componente que ele coma asfalto no desfile com uma fantasia de 8kg nas costas. E mesmo assim ele come. Vamos vir de roupas leves, sem resplendor, para o nilopolitano flutuar na Avenida. Para a fazer o que a gente mais gosta, que é brincar Carnaval, curtir o Carnaval”, disse Laíla.
Segundo ele, a Beija-Flor gastou R$ 14 milhões no último desfile. “É um valor insustentável. Se este ano foram 14 milhões, se continuarmos no mesmo caminho, quanto será em 2016? E quando não tiver mais dinheiro, como faremos Carnaval? Chega. Se a gente já estudava uma mudança, a realidade financeira do Carnaval me ajudou a definir pela mudança. E quero esta mudança também no samba, sem ferir a métrica, a harmonia, trazendo para o mundo de hoje o verdadeiro Carnaval”, finalizou.

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