Bahia

‘Dei 12 cortes no braço, não sentia dor. Só me aquietava quando via o sangue escorrer’, diz jovem que saiu da Baleia Azul

Baleia Azul propõe 50 desafios sendo o ultimo o suicídio.

O jogo da Baleia Azul, que induz jovens a se automutilar e até tentar suicídio, já atraiu jovens de Feira de Santana, e nos últimos dias os casos estão sendo descobertos por professores e pais, que após os alertas da imprensa têm passado a observar mais o comportamento dos alunos e filhos.

 

A reportagem do Acorda Cidade esteve na casa de duas jovens de 13 e 16 anos, que residem na zona rural, e viu de perto o drama das famílias que tentam ajudá-las a voltar a ter uma vida normal após conseguir tirá-las do jogo. A de 16 anos ainda tem em seu corpo 12 marcas de cortes que fazia com uma navalha.

 

Ela chegou até a terceira fase e pensou em parar, mas disse que ouvia vozes, e que só deixou o jogo quando conversou com a família e deixou a tia da amiga levar seu celular para tirá-la do jogo. “Eu ouvia uma voz falando se mata, se mata, se mata. Eu ia para o curso e ficava falando com a minha colega que eu ia me jogar na frente de um caminhão. Vou me jogar. Aí ela disse para mim que se eu me jogasse ela iria também e eu disse que iria fazer sozinha. Quando eu saí na rua, eu quase ia sendo atropelada, aí eu pensei, poxa velho eu ia morrer mesmo. Aí comecei a me cortar, tudo o que acontecia comigo, raiva, o que fosse, eu saía me cortando. A lâmina estava lá para me ajudar. Eu não tinha amigo nenhum, só a lâmina iria me ajudar. Eu aconselho que quem não entrou não jogue. E mesmo que você pense que sua família não liga para você, é sua família que vai estar sempre do seu lado, mesmo você não sabendo disso”, disse a adolescente de 13 anos.

 

Ela afirmou que não sentia dores e que a prática é viciante. Disse que às vezes sente vontade de se cortar, mas pede forças a Deus e tenta não ficar pensando no jogo. “Dei 12 cortes no braço esquerdo, não sentia dor. Só me aquietava quando eu via o sangue escorrer. O jogo pede para dar cortes, mas pede para você aprofundar os cortes. Tem gente que tem coragem, mas eu ficava com medo de afetar alguma veia e eu morrer antes de me despedir de todo mundo. Na mente só falava para eu ir até a última fase (suicídio), mas como Deus é tão bom para nossas vidas Ele não deixou. Se Deus não estivesse usado alguém para conversar comigo eu chegaria até a fase 50 ou antes disso me mataria”, declarou.

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A adolescente destacou que só após o desabafo teve vontade de sair da Baleia Azul e permitiu se desfazer do celular para não jogar mais. “Eu até pensava em parar. Aí a tia da minha colega veio aqui para conversar comigo e olhou meus pulsos. Quando ela olhou, viu que estava cortado e disse para eu não fazer aquilo. Aí quando minha mãe chegou eu falei que ela tinha levado meu celular e minha mãe perguntou por que e eu disse que não foi nada. Depois minha mãe perguntou se eu estava no jogo e eu disse que não. Aí ela me levou na casa da minha amiga comigo, e foi aí que desabafamos, colocamos tudo para fora, e eu disse que não jogaria mais. Estou sem celular. Às vezes vem na minha mente para eu me cortar e eu começo a pedir forças a Deus”, concluiu. (Acorda Cidade)

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