Cidades

Ciclistas tiram a roupa para pedir respeito no trânsito do Rio

CICLISTAS NU - RIOA Cinelândia, palco tradicional de protestos na cidade do Rio de Janeiro, recebeu um grupo de manifestantes bem-humorados na tarde deste sábado (14). Cerca de 70 pessoas, de acordo com a organização do evento, participaram da segunda edição da Peladala Pelada do Rio de Janeiro. O evento é organizado pela World Naked Bike Ride e já aconteceu em várias cidades do mundo. Os ciclistas pedalam com pouca, ou nenhuma roupa, com o objetivo de chamar a atenção para a falta de segurança que sofrem diariamente. Veja acima no vídeo de Cristina Boeckel. Apesar de o evento prever a presença de manifestantes nus, estes preferiram iniciar a Pedalada Pelada com alguma roupa pois, segundo explicaram os organizadores, o objetivo não era chamar a atenção para a nudez, mas para a “fragilidade do corpo humano sobre duas rodas em meio à um trânsito tão violento”. “(…) Me desnudo por que é a forma mais sincera de mostrar minha fragilidade. Um pedido de cuidado e respeito”, diz o texto conclamando para o evento nas redes sociais. O grupo saiu pedalando da Cinelândia sem divulgar o destino, que segundo alguns dos manifestantes, deverá ser uma praia isolada onde então tirariam as roupas. O fotógrafo Bernardo Lima, que usa a bicicleta na maioria dos seus deslocamentos, conta que o movimento pede mais atenção dos motoristas. “Quem sabe agora, que estamos nus, os motoristas vão nos ver. A gente espera que a prefeitura dê mais condições para os ciclistas”, diz Bernardo, que já foi vítima de dois atropelamentos. Apesar da grande malha de ciclovias do Rio, ele conta que elas foram pensadas para passeios. “A maioria das ciclovias liga o nada a lugar nenhum para quem usa a bicicleta como meio de transporte. É mais importante a conscientização dos motoristas do que encher a rua de ciclovias. A lei nos dá o direito de andar na rua”, explica. Discursos antes do evento falaram da importância do corpo e lembraram o legado de Luz Del Fuego, a precursora do naturismo no Brasil. Músicas também animaram a concentração. O casal Victor Barreto e Analia Gerpe também compareceu. Eles afirmam que a manifestação é importante para revelar a fragilidade do corpo humano diante da violência no trânsito. “Essa pedalada chama a atenção para a importância de lutar contra a falta de respeito. O nu é uma maneira de chamar a atenção”, conta Victor, que é artista plástico e participou da primeira edição do evento. Victor conta que sua relação com a bicicleta começou na infância, como a de tantas pessoas, mas, ao longo do tempo, a brincadeira se transformou em um meio de transporte. Segudo diz, faz 80% de seus deslocamentos de bicicleta. Mesmo de short e top, Analia estava com o corpo pintado em apoio à causa. “Ninguém respeita os ciclistas. Não vou ficar nua, mas apoio totalmente a causa”, afirmou. (G1)

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