Cotidiano

‘Bolsonaro tomou decisão consciente que colocou vidas em risco’, diz Mandetta

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) afirmou que as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizando a pandemia do novo coronavírus foram “decisão consciente” do governo, e não despreparo.

Em entrevista ao programa Roda Viva, na noite de segunda (13), Mandetta disse que, ainda em março o chefe do Executivo sabia que o país poderia chegar a 180 mil mortos — atualmente o Brasil tem mais de 150 mil óbitos pela Covid-19.

“Não acho que seja despreparo, acho que foi uma decisão consciente, sabendo dos números, apostando num ponto futuro (…) Ele se abraçou na tese da economia, já para ter uma vacina para ele e falar: ‘a economia vai recuperar, fui eu que recuperei, não deixei’. Ele fez uma opção política consciente que colocava em risco a vida das pessoas. Isso foi consciente da parte dele, não tenha dúvidas”, declarou.

O ex-ministro afirmou também ter apresentado “cenários para todos os gostos” para Bolsonaro e outros ministros e que Bolsonaro escolheu no que acreditaria. Mandetta disse que  que o protocolo para uso da hicroxicloroquina era “muito bem arquitetado para uso político”.

“Joga cloroquina, começa a chamar de vírus chinês, fala que a culpa é da China. Então não dá para falar da China, fala que é da OMS. Passou o Ministério da Saúde a ser o elemento de raiva, esse é o cara que traz a notícia ruim, fala o que não quero ouvir. Tanto que eles trocam o ministro e uma das primeiras coisas que o ministro militar chega e fala e que não vai mais dar números Luiz Henrique Mandetta.

Influência de Paulo Guedes

Mandetta declarou que houve uma priorização na questão econômica em relação ao controle sanitário no gerenciamento da pandemia de coronavírus no Brasil. Ele disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ter influenciado as decisões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o tema.

“O presidente falou: ‘eu prefiro atender a economia porque acho que é mais importante que atender a saúde’, prosseguiu o ex-ministro.

Segundo Mandetta, ele se sentia incomodado com a criação de “falso dilema” entre saúde e economia, e que Paulo Guedes tinha o pensamento restrito aos “números” e apenas ao que ocorria dentro da Economia, e não em outras pastas.

“Não sei como ele apresentava ao presidente as consequências.”

Bahia.ba

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