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'Alemão – Os Dois Lados do Complexo' estreia terça e mistura cenas do filme com jornalismo

PLAYBOY - ALEMAOTal como fez com filmes como Xingu (2012) e Tim Maia (2014), a Globo leva para a TV a versão estendida de uma produção nacional. Desta vez, é Alemão, longa-metragem lançado em 2014, que será transformado em uma produção de quatro capítulos. O filme vendeu mais de 950 mil ingressos e terá uma sequência, que vai ser filmada entre junho e julho deste ano.

A série vai ao ar diariamente na Globo/TV Bahia, após Ligações Perigosas, a partir de terça-feira. A história mostra cinco policiais no meio de uma guerra, encurralados na comunidade do Alemão, no Rio de Janeiro, prestes a ser invadida pelas forças de segurança do estado.

Cauã Reymond interpreta Playboy, o chefe do tráfico na região. Também estão no elenco Otávio Muller, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz e Caio Blat, que vivem os policiais infiltrados no morro. Antonio Fagundes é o delegado Valadares, comandante de uma operação secreta que pode ser frustrada quando os policiais são desmascarados por Playboy.

Jornalismo e ficção

Em relação à versão do cinema, a série traz um importante acréscimo: imagens do jornalismo da Globo mostrando cenas reais da ocupação pela polícia, em 2010.

Também foram rodadas cenas novas com alguns atores. “Arriscaria dizer que 25% da série é de material jornalístico e uns 5% são de cenas inéditas, sendo que algumas não haviam sido aproveitadas na montagem do filme”, diz José Eduardo Belmonte, diretor da série e do longa-metragem.

Para selecionar a parte documental, Belmonte reuniu-se com a equipe de jornalismo da Globo e assistiu a, aproximadamente, 50 horas de material. “Eu e o montador fizemos uma pré-seleção e debatemos com Guel Arraes (diretor de dramaturgia semanal), José Alvarenga Júnior (diretor de núcleo) e Ali Kamel (diretor de jornalismo) para chegarmos a um consenso”, afirma Belmonte.

O diretor da série diz que, embora a história do  Alemão se passe numa favela, o filme é diferente de outras produções nacionais que têm as comunidades populares como cenário, como Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002).

“Há ação em Alemão, mas o viés dramático é mais forte. Embora se passe em lugares parecidos com os desses outros filmes, a abordagem é nova e os diálogos também”, compara Belmonte.

VALADARES - ALEMAOParceria

O longa-metragem foi produzido pela RT Features, responsável por filmes como Heleno (2011) e O Cheiro do Ralo (2006). Na série, foi estabelecida uma coprodução com a Globo. “A emissora fez a proposta e correspondeu àquilo que nos interessava. É uma relação saudável, tanto do ponto de vista comercial como artístico”, diz o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features.

O produtor diz que essa aproximação entre TV e cinema é uma tendência mundial e que a indústria cinematográfica pode aprender muito com a televisão: “A TV, um veículo de massa, ao contrário do cinema, é a mãe da indústria audiovisual. E como o Brasil tem uma indústria cinematográfica se formando, essa relação pode beneficiar os produtores de cinema”.

Para Rodrigo, a chegada das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) às comunidades foi favorável, ao menos inicialmente: “Mas precisamos ver a continuidade disso. E, no Brasil, isso não costuma acontecer. As UPPs são uma boa iniciativa, mas, paralelamente a elas, tem que haver reforma educacional”.

Para Belmonte, ainda não é possível realizar um diagnóstico sobre a ocupação: “A história ainda está sendo escrita, mas vejo alguns benefícios. Os moradores daqueles locais não tinham sequer direito ao serviço dos Correios”.

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