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Ainda de olho em Ganso, time de Kaká dá garantia em briga judicial contra São Paulo

A dívida corre na Justiça brasileira desde agosto do ano passado. O clube americano cobra do São Paulo cerca de R$ 14 milhões PAULO HENRIQUE GANSO

Um apartamento de 500 metros quadrados, no centro do Rio de Janeiro, próximo ao Aeroporto Santos Dummont, a menos de 20 minutos da praia de Copacabana e avaliado em R$ 3,5 milhões foi apresentado pelo Orlando City, dos Estados Unidos, como garantia para que a ação movida contra o São Paulo pela contratação de Kaká prossiga.
A dívida corre na Justiça brasileira desde agosto do ano passado. O clube americano cobra do São Paulo cerca de R$ 14 milhões por exigências contratuais não cumpridas após a diretoria tricolor acertar a vinda de Kaká por empréstimo em julho de 2014. Ao notificar a direção tricolor no ano passado, a equipe americana sugeriu como alternativa a compra de Ganso perdoando a dívida e pagando mais R$ 5 milhões.
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A informação está contida em documentos do final do ano passado.
Um dos documentos foi protocolado em 14 de dezembro de 2015 e por meio dele o brasileiro Flávio Augusto da Silva, dono do Orlando City, se coloca como fiador do clube americano. Cita o apartamento descrito acima como uma garantia.
Antes de protocolar esse documento, foi realizado uma avaliação técnica do imóvel por uma empresa contratada para esse fim. O documento de 12 páginas faz diversas considerações, avaliando o tamanho do apartamento, a localização dela e possibilidade de valorização.
O interesse do Orlando City na contratação de Ganso ainda existe. Apesar do interesse do jogador em ser negociado já no ano passado, o clube tricolor recusou negociar o camisa 10 pelo valor oferecido na época (cuja soma represantaria cerca de R$ 19 milhões).
Então presidido por Carlos Miguel Aidar, o São Paulo avaliou que a negociação não valeria a pena porque o clube desembolsou R$ 16,6 milhões para tirar o meia do Santos, em 2012 – o grupo DIS pagou mais R$ 7,5 milhões, ficando com 68% dos direitos do jogador-, e queria o valor estipulado na multa rescisória: 25 milhões de euros.
O outro motivo é que o Orlando City desejava abater parte do pagamento perdoando a dívida do São Paulo, que na época girava em torno de R$ 13.878.159,26, e pagando outros R$ 5 milhões diretamente ao clube.
Além de contestar o valor da dívida, o clube não desejava misturar as discussões.
Negociar Ganso não é um tabu no São Paulo. Segundo apurou a reportagem, a diretoria aceitaria liberá-lo desde que a proposta atendesse as expectativas tricolores. O meia também não faria oposição desde que a proposta fosse boa para ele também.
No início deste ano, o empresário dele recebeu uma sondagem do Hebei China Fortune, da China, mas que acabou não se formalizando.
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ENTENDA O PROCESSO DO ORLANDO CITY CONTRA O SÃO PAULO
Uma planilha de apenas seis linhas que não foi feita na data gerou ao São Paulo a pendência que há até hoje com o Orlando City. Isso, porque o clube tricolor deveria ter enviado um documento desse porte ao Orlando até 26/06/2014, sob pena de multa diária.
Explica-se: o São Paulo deveria mandar ao time da Flórida uma lista com o valor médio da receita líquida dos jogos pelo Brasileiro antes de 10 de julho de 2014. Pela ordem, eram quatro duelos: contra Botafogo, Coritiba, Grêmio e Atlético-MG. A exigência fazia parte da compensação ao time americano pelo empréstimo de Kaká.
O não envio dessa relação obrigaria o São Paulo a pagar uma multa diária de US$ 10 mil (R$ 32,1 mil) a partir do 11º dia após 26 de junho de 2014, data da assinatura do contrato com o Orlando City. Contudo, só enviou a planilha em 13 de fevereiro de 2015, o quer por si só já configuraria uma dívida de R$ 7,32 milhões.
Mesmo assim, como o clube tricolor não mandou comprovantes das rendas nessa ocasião, o time norte-americano considerou que até o dia ação passaram-se 378 dias desde que o time tricolor deveria ter enviado o documento e não o fez.
Assim, a multa, pela visão dos americanos, totalizava, no início da ação, quase R$ 12,2 milhões, um dinheiro que não correria risco de sair dos cofres do Morumbi se o São Paulo tivesse feito apenas um documento de Excel com o cabeçalho, a relação das rendas das quatro partidas e o total expresso logo abaixo.
Além da multa pelas informações não repassadas, o Orlando cobrava mais R$ 1.744.359,26. Esse é o valor, acrescido de multa pelo não pagamento no prazo correto, do que deveria ser a compensação pelo empréstimo de Kaká: 20% da diferença da renda líquida nos jogos do São Paulo no Brasileiro-2014 com e sem o atacante.
Sem a multa, o São Paulo deveria pagar R$ 1,44 milhão pelo empréstimo de Kaká. Agora, caso o Orlando tenha sucesso na Justiça, a negociação pode custar quase R$ 14 milhões.
Espn
 

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