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Agricultores baianos conhecem experiência agroecológica do Sítio Semente

Atividade do Projeto Cerrado colabora para difundir boas práticas no manejo da terra e evitar queimadas.

Durante essa semana, 40 agricultores familiares baianos conheceram a experiência agroecológica do Sítio Semente (Brasília-DF), ambiente-escola que é referência no país em agricultura sintrópica e sistemas agroflorestais (SAF). A atividade faz parte do Projeto Cerrado, coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Os participantes são de duas comunidades atendidas pelo projeto no município de Cocos, no Oeste baiano, território de identidade Bacia do Rio Corrente.

“Foi de muita importância para nós. São muitos aprendizados. A gente tem todas essas matérias primas que eles usam, restos de alimentos, cascas, pau, e lá na comunidade a gente faz o quê? Descarta”, contou a agricultora Ivana Rocha Falcão, da comunidade do Riacho do Meio. Segundo ela, faltava a informação. “Não sabia que poderia usar tudo isso como adubo. Tudo que aprendemos aqui foi precioso, vamos levar para o resto da vida”, disse ela.

Essa é mais uma atividade de educação ambiental do Projeto Cerrado, que visa a formação dos agricultores para as ações de restauração no Oeste baiano. “O Sítio Semente é uma referência em produção orgânica no bioma Cerrado. A iniciativa de trazer os agricultores e agricultoras para esta vivência e troca de experiências proporciona o acesso, de forma prática, a uma produção sustentável, baseada nos princípios da agroecologia, incentivando a participação e o protagonismo social, além da permanência do agricultor no campo e a participação da mulher nas atividades produtivas”, explicou Jamile Patrícia Trindade, especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos da diretoria de Educação Ambiental da Sema.

Um dos objetivos do Projeto Cerrado, na ação chamada Kit SAF, é promover práticas sustentáveis em alternativa ao uso do fogo, evitando queimadas e o desgaste do solo, e conciliando a produção com a recuperação do solo e a conservação da natureza.

Para Timóteo da Silva, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), também participante da atividade, “fortalece saber que estamos aqui com a Secretaria do Meio Ambiente. Esse momento para nós tem uma importância muito grande para começarmos a dialogar e trocar experiências entre produtores, pensando no uso da água e da terra, de forma que assegure a sustentabilidade”, avaliou.

Também participaram da atividade, que aconteceu nos dias 4 e 5 últimos, Miler Alves, diretor de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cocos, e Carlos César, técnico da Secretaria Municipal de Agricultura.

Durante a visita, os beneficiários tiveram aula teórica e prática, em que conheceram a agricultura sintrópica, sistemas em que se busca, de forma simultânea, a produção de alimentos e recuperação ambiental. A proposta concilia a produção humana com a preservação, restabelecendo a vegetação nativa através da recuperação do solo, e possibilitando ao pequeno agricultor o ganho econômico com a sucessão em consórcio de espécies da agricultura e floresta.

“Essa é uma etapa fundamental de sensibilização dos agricultores. Aqui eles podem caminhar por todo o sitio, ver como se inicia o processo e o resultado depois de quatro ou cinco anos. O exemplo tem um impacto muito forte para eles. Porque não é ninguém dizendo para eles o que fazer, eles vêem o que está acontecendo e tiram suas próprias conclusões. A sensibilização é fundamental no trabalho de ensinar um modelo novo de agricultura, um modelo sustentável de produzir alimentos, de forma saudável, com qualidade, e também resgatando a dignidade do agricultor”, explicou Eric Thompson Lassmann, gestor de projetos do Sitio Sementes. 

Cinco comunidades do Cerrado baiano são contempladas pelo projeto

O Kit SAF, do Projeto Cerrado, beneficia cinco comunidades, nos municípios de Cocos, Correntina e Jaborandi. No mês de março, foram feitas visitas ao Sítio Sementes pelas comunidades Brejo Verde e Salto, de Correntina, e Boca Negra, de Jaborandi. Em abril, foram contempladas as comunidades de Desterro e Riacho do Meio, do município de Cocos.

Entre as ações do projeto, o Kit SAF promove oficinas e oferece insumos às cinco comunidades para a recuperação florestal e o sustento de famílias rurais por meio da implantação de sistemas agroflorestais (SAFs). O projeto já realizou 25 km de cercamento em áreas de preservação permanente, além de oficinas de diagnóstico rural participativo, introdução à restauração, coleta de sementes e quebra de dormência, entre outras. Também foram entregues ferramentas e insumos: madeira, rolo de arame farpado e estacas para cercamento, podão, facão, caixas e bandejas para tratamento das sementes, EPIs, lonas e sacos para secagem e armazenamento de sementes etc.

O KIT prevê ainda a construção de cinco viveiros rústicos para produção de mudas nativas e restauração florestal, bem como capacitação e assistência técnica para restauração de 20 hectares em mutirão.

O investimento total do Kit SAF é de R$ 235 mil, fruto de Acordo de Doação firmado entre Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), com o aporte de recursos provenientes do Fundo Fiduciário de Mitigação das Mudanças Climáticas no Cerrado Brasileiro, constituído por meio de doação do Department for Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA), órgão do Reino Unido.

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