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Adoção de idosos é projeto ineficiente e não soluciona a vida da população mais velha no Brasil’, diz especialista em longevidade Sergio Serapião

O porta-voz Sergio Serapião, da Labora, explica que medidas assistenciais com foco em filantropia estão longe de atacar a raiz do problema.

O especialista em longevidade Sergio Serapião defende a implantação de políticas públicas que visem a criação de oportunidades de trabalho, empreendedorismo e voluntariado para seniores, em vez de adoção de idosos.

No último dia 12/1 veio a público que a ministra Damares Alves, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, planeja sugerir ao Congresso uma proposta para permitir a “adoção” de idosos em estado de abandono ou vulnerabilidade no País.  “A ideia é ineficiente e não soluciona a vida da população sênior no Brasil”, diz Sergio Serapião, CEO da Labora, primeira HR Tech (ou RHtech), dedicada ao público mais velho.

Serapião lembra que o retorno da população mais velha ao mercado de trabalho tem um impacto direto na saúde deles e, também, na sua autonomia. “Além de gerar renda complementar, o trabalho melhora a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar do idoso”, explica Serapião.

Em tempo: o Brasil tem hoje 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos. “Só que apenas 30% dos idosos do País estão em um estado de dependência ou semi dependência; os outros 70% são ativos”, afirma Sergio Serapião, que é credenciado como empreendedor social pela Ashoka.

Ele afirma, contudo, que a jornada de trabalho recomendada para o idoso deve ser diferenciada, não ultrapassando as 24 horas semanais, para não incorrer em prejuízos para a saúde do sênior.

Segundo Serapião, “pessoas maduras tendem a performar melhor quando é necessário criar empatia com o público e promover acolhimento”.

“Idosos não são o problema e, sim, a solução”, diz Serapião. “Existe um potencial positivo nesta população, que deve ser aproveitado pelas organizações, com ganhos para toda a sociedade”, continua. “A empresa se beneficia e o colaborador também”, explica.

Assunto espinhoso

Segundo Serapião, o processo de adoção seria complexo e envolve muitas particularidades. “Vemos que, mesmo no caso de crianças, especialmente quando não são bebês, há entraves e problemas e é comum o processo não ser bem-sucedido”, comenta o especialista. “No caso do público mais velho, é ainda mais difícil a adoção dar certo, pois entram questões comportamentais e práticas, como discussões em torno da herança e interesses financeiros”, continua. “Definitivamente, esta iniciativa não seria nada efetiva e pode colocar em risco uma população que tem certa renda assegurada”, conclui.

Sobre a Labora: é a primeira HR tech (startup de RH) do Brasil focada na criação de vagas de trabalho para o público 50+, idealizadas para atender às limitações e habilidades dos seniores. Por trás da iniciativa está o especialista em longevidade Sergio Serapião, reconhecido pela rede de empreendedores sociais Fellow Ashoka, e que há mais de cinco anos lidera o movimento LAB 60+. A startup tem atuação a nível nacional, inserindo profissionais maduros em empresas de vários portes em todo o país.

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