Detalhes do sequestro do gerente do banco de Muritiba são divulgados


A vida de um dos gerentes da agência do Banco do Brasil em Muritiba, cidade de 30 mil habitantes, no Recôncavo baiano, não será mais a mesma. Ele foi um dos reféns que passou mais de 16h sob o poder de bandidos, com explosivos presos ao corpo, nesta terça-feira (7). O terror, no entanto, começou no dia anterior para ele. O final de tarde de segunda-feira (6) era para ser mais um fim de expediente no banco. O gerente, cujo nome está sob sigilo, chegava em casa com seu carro quando, por volta das 16h30, foi abordado por dois bandidos armados com pistolas. Na residência, estavam a esposa do gerente e um casal de amigos.

Logo após a abordagem ao gerente, os bandidos invadiram a casa e fizeram as vítimas de reféns: elas foram amarradas e tiveram esparadrapos colocados na boca. O plano dos criminosos era fazer com que o gerente abrisse o cofre do banco na manhã do dia seguinte e colocasse a quantia que coubesse numa sacola grande dada pelos criminosos. Para convencer o gerente a fazer o que eles queriam, os bandidos amarraram explosivos no corpo dele. Por volta das 22h30, chegaram à casa outros três bandidos, também armados com pistolas e armas de grosso calibre que as vítimas não souberam identificar. Eles estavam também com explosivos de uso comum para a mineração.

Depois de acertarem os detalhes do plano, por volta de 1h desta terça-feira, três dos bandidos colocaram a esposa do gerente e o casal de amigos no veículo do próprio gerente e viajaram para Salvador. Enquanto isso, os outros dois criminosos vigiaram o funcionário do banco até amanhecer. Por volta das 7h, os bandidos deixaram o gerente numa área próxima ao banco com um aparelho celular e deram orientações de onde o dinheiro deveria ser entregue. Em seguida, fizeram ameaças e avisaram que, caso a polícia fosse chamada, os explosivos seriam detonados e o gerente, consequentemente, morreria. Segundo eles, com uma simples ligação seria possível acionar as bombas, o que foi negado posteriormente por uma equipe do Esquadrão Antibombas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Bahia. Sem saber que se tratava de uma mentira, o gerente obedeceu. Foi até o banco, mas a sua presença foi considerada estranha pelo sistema de segurança da agência. De Brasília, agentes de segurança que trabalham para o Banco do Brasil acionaram a polícia.

Ao perceber uma movimentação estranha, os bandidos que estavam nas imediações do banco fugiram em um veículo, cujo modelo não foi identificado pela polícia. Também pela manhã, os bandidos que estavam em Salvador liberaram a esposa do gerente e o casal de amigos na rua, sem ferimentos. O local onde as vítimas foram libertadas não foi informado. Livre dos bandidos, mas ainda com explosivos presos na cintura, o gerente foi atendido pelo Esquadrão Antibombas, que chegou a Muritiba por volta das 10h30. Depois de analisar a situação, o grupo conseguiu desarmar a bomba por volta das 14h e descobriu que os explosivos não poderiam ser detonados com uma simples ligação de celular, como os bandidos disseram ao gerente, que também saiu ileso fisicamente. Até o início da noite desta terça-feira, ninguém foi preso. *Correio da Bahia