Sortudo ganhador 70 vezes, dá dicar de como acertar na loteria


Como funciona o sistema de loterias que tanto fascina o brasileiro.

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Reprodução/Manual das Loterias

Ficar milionário não está entre as tarefas mais fáceis do mundo, mas, para alguns, a receita é até simples: basta um dinheirinho sobrando, um tempo livre para ir à lotérica e sorte, muita sorte. E é essa facilidade para ficar milionário que atrai tantos apostadores às loterias. Mas por que arriscar um dinheiro que está seguro em mãos e apostar em uma riqueza “quase mágica”?

Para Guilhermino Ferreira, a resposta é simples: “É um passaporte para a felicidade”. Ele é fã do universo das loterias e se tornou consultor e pesquisador do assunto. Com tanto engajamento assim, não esconde o fascínio que sente pelas apostas: “A loteria é um dos jogos de azar mais populares da humanidade. A razão de tanto interesse é sem dúvida a possibilidade de se ficar milionário da noite para o dia com um pequeno investimento. Tanto dinheiro mexe com a imaginação da população”, afirma.

Criador do site e livro “Manual das Loterias”, que dá dicas sobre os jogos, Guilhermino relata que jogar sem planejamento é quase como jogar dinheiro fora. “Você pode até ganhar, mas suas chances são mínimas. É preciso criar uma estratégia e manipular o fator sorte a seu favor”.

E levar as dicas de Guilhermino a sério pode ser uma boa: o próprio profissional alega já ter ganhado mais de 70 vezes na loteria. Embora nunca tenha conquistado o prêmio máximo, ele garante que consegue acertar com frequência a quadra ou a quina, combinações que dão prêmios menores, sempre seguindo regras básicas: “Apostar pouco dinheiro, separar as dezenas em grupos e jogar uma quantia que não faça falta”.

O apostador também sugere realizar mais de uma aposta por sorteio e escolher o jogo certo. A Caixa Econômica Federal, que organiza a loteria no país, oferece várias opções. A aposta mais popular é a Mega-Sena, que premia quem acerta seis números dentre 60 e paga o maior prêmio oferecido pela instituição atualmente. No entanto, ela é também a mais difícil de obter retorno. “A loteria mais fácil para apostar e ganhar é a Quina, porque você tem uma chance em 1.144.762 de possibilidades. A Lotofácil é três vezes mais difícil do que a Quina, e por aí vai”, explica Guilhermino.

Tipos de loteria

Além da Mega-Sena, a Caixa possui mais quatro tipos de apostas que se enquadram no perfil do prognóstico numérico, ou seja, que dependem do sorteio de números específicos para dar o prêmio a alguém.

Na Lotofácil, o apostador escolhe entre 15 e 18 dezenas dentre 25 existentes, e ganha o prêmio máximo quem acertar 15. Na Lotomania, o apostador pode escolher 50 dezenas entre cem, e ganha a premiação máxima quem acertar 20 números sorteados. Já a Dupla Sena funciona como a Mega-Sena, mas com seis números escolhidos entre 50 e com a diferença de que o apostador pode escolher dois jogos diferentes com um único bilhete, e o prêmio e preço da aposta são menores. O jogo considerado mais simples é a Quina, na qual os apostadores escolhem cinco dezenas entre 80 disponíveis.

Há também jogos de prognósticos esportivos, como a Loteca e a Lotogol, cujos apostadores dependem de resultados de campeonatos de futebol – como o Brasileirão –  para faturar algo.

Por fim, a instituição ainda mantém dois jogos no antigo sistema de bilhetagem: Loteria Federal e Instantânea. Nesse caso, o apostador conta mais ainda com o fator sorte. Ele não escolhe os números e concorre ao prêmio com o que está impresso no papel.

Os prêmios são pagos com o dinheiro proveniente das próprias apostas e, por isso, variam de um sorteio para outro. Em 2014, por exemplo, ao longo do ano, a Caixa arrecadou R$ 13,5 bilhões somente com o dinheiro proveniente das apostas. Desse total, apenas uma pequena parte retorna aos bolsos dos apostadores. Isso porque não é toda a arrecadação que vira prêmio.

Por e-mail, a assessoria da Caixa informou ao BOL que os valores adquiridos pelas loterias possuem distribuição percentual para prêmio, custeio e beneficiários legais, que são investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança, cultura e esporte. Alguns dos beneficiados que recebem parte do valor arrecadado são o Comitê Olímpico Brasileiro, o Fundo Nacional da Cultura, o sistema público de prisões, e o FIES – programa federal de financiamento estudantil.

E são os jogos mais disputados, como a Mega da Virada, especial da Mega-Sena que acontece no final do ano, que deixam os valores surpreendentes. Por exemplo, em 31 de dezembro de 2014, a Mega da Virada arrecadou mais de R$ 871 milhões, com 348,5 milhões de apostas, segundo dados do próprio banco. Entretanto, o prêmio pago aos vencedores do mesmo sorteio foi de R$ 263 milhões, dividido por quatro apostadores diferentes.

Realizar sonhos

Mas engana-se quem pensa que é só o sonho de colocar as mãos em uma fortuna digna de Hollywood que está no horizonte dos apostadores. Muitas vezes, prêmios menores podem servir como a alavanca que faltava para a conquista de um sonho. E nem sempre os sortudos dependem de fatores lógicos para acreditar na vitória.

A aposentada Annita Senna, 61 anos, viu a sorte de perto em 1984, quando faturou uma boa quantia com um bilhete da loteria federal, uma das muitas modalidades de jogo disponíveis nas casas lotéricas. Mas, antes de apostar, ela contou com uma ajuda especial: teve um sonho com o pai falecido.

“Tive um sonho com o meu pai. Ele estava numa sala de jogo de sinuca e não falava nada, só balançava a cabeça positivamente e acenava. Da janela dessa sala, dava para ver uma briga na rua, com alguns policiais resolvendo o caso. Foi quando lembrei que em vida meu pai disse que quando eu sonhasse com policiais era para eu apostar no bilhete do galo ou do peru”, afirmou Annita.

Ela confiou no sonho e conseguiu comprar um bilhete com os números do galo – na época, era comum usar os números representativos do jogo do bicho, que é ilegal no país, como base para as apostas oficiais. E o bilhete levou o 1º prêmio ou, como dizem os apostadores, deu na cabeça.

Ao conferir os números sorteados e ver que eram os mesmos do bilhete em suas mãos, Annita mal podia acreditar: “Eu pagava aluguel, era uma tristeza, e o dono da casa tinha pedido o imóvel. Eu tinha que me mudar, mas não tinha para onde ir. Eu estava preocupada, e o prêmio trouxe um alívio, uma sensação incrível”.

Com o dinheiro, ela abriu uma poupança e comprou a casa própria. Era novembro de 1984, um mês do qual ela nunca vai se esquecer.

Sem estratégia ou matemática, o maior aliado de Annita foi a sorte – ou uma forcinha do além!

De olho no dinheiro

Annita e Guilhermino, no entanto, fazem parte de uma parcela mínima de vencedores. No geral, poucos faturam uma quantia razoável, mas, ainda assim, continuam a jogar, mesmo quando não ganham nada. Para Mirella Mariani, psicóloga mestre em distúrbios do desenvolvimento e coordenadora administrativa do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico (PRO-AMJO), do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), a resposta para essa insistência é bem simples: o prêmio.

“Milhões de reais parece bastante atrativo, e os apostadores deixam de considerar o fator probabilidade, facilmente verificado em estatística. Ou seja, o prêmio milionário será concedido para um único apostador, entre milhões em todo o território nacional. Ainda assim, um estudo epidemiológico que foi desenvolvido em nosso país revelou que 12% da população realiza apostas com frequência mensal. No caso, os variados tipos de jogos lotéricos e o carteado foram as modalidades mais populares”, afirma Mirella.

O alerta fica para o risco do vício. A psicóloga indica que o apostador e sua família devem ficar atentos quando episódios repetidos e frequentes de situações de jogos dominam a vida do sujeito em detrimento de compromissos sociais, profissionais, materiais e familiares. E, como já lembrou Guilhermino, o especialista em apostas, é fundamental apostar com consciência, desembolsando somente pequenas quantias, que não façam falta no dia a dia da família. Notícias Bol / Leia mais em: http://zip.net/bptzzp