Mutuípe: professora Kêda segue em coma, familiar narra como as coisas chegam a tentativa de feminicídio

Familiares esperam por justiça, criança de 9 anos presenciou o crime. Acusado segue foragido.


Na manhã desta segunda-feira (21), conversamos com familiares da professora Rosicleide de Jesus Sousa -Kêda Sousa, 40 anos, vítima de tentativa de feminicídio na zona rural de Mutuípe, na manhã de sábado (19).

Segundo as informações, os desentendimentos entre ela e o esposo, identificado com Marcelo já aconteciam há algum tempo.

Pró Kêda como é conhecida carinhosamente por mutuipenses, está em coma na UTI – Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus- HRSAJ, na cirurgia foram constatadas lesões em quatro partes do cérebro: frontal, lateral, esquerdo e o lobo occipital, ela está com um dreno na cabeça, e ainda não apresentou melhora.

Foto: reprodução rede social Facebook

Ainda segundo as informações, o acusado usa drogas e sofre de transtorno bipolar, desde o sábado anterior ao crime, eles já vinham se desentendendo, durante a semana houveram mais desentendimentos, um dos filhos do casal foi alvo de xingamentos, fato que causou indignação na mãe, na quarta-feira (16), o acusado mandou fazer uma cobrança a vítima, que mesmo abalada com tudo o que vinha acontecendo, foi a uma agência bancária da cidade na sexta-feira (18), para fazer o saque da quantia e mandar lhe entregar.

No sábado pela manhã, dia do crime, Kêda, ligou para a irmã e informou que iria a zona rural pegar suas coisas, foi aconselhada a não ir, mas ela argumentou que o esposo não estaria na casa, pois segundo as informações, ele teria viajado com o veículo cheio de caixas no dia anterior. Quando já estava saindo da casa com uma das crianças de 9 anos, Kêda foi surpreendida com a chegada do acusado, rapidamente os vizinhos se mobilizaram e levaram a vítima para a casa de uma pessoa próximo, iniciou-se uma nova discussão, e Kêda na tentativa de acalmar Marcelo, teria aparecido numa janela e dito ao marido: “eu não vim discutir com você, eu só vim pegar minhas coisa, quando você tiver em sã consciência, a gente conversa”, teriam sido essas as últimas palavras antes do tiro, neste momento Marcelo usou um rifle e atingiu a vítima na testa. Após ser baleada, ela caiu dentro da casa e foi socorrida pelo SAMU para o Hospital Clélia Chaves Rebouças e posteriormente transferida ao HRSAJ.

O acusado usou um rifle calibre 22 e segundo informações estava numa distância de cerca de 100 metros. A educadora já teve problemas de saúde anteriormente associados ao marido. O crime foi cometido na presença da criança, que está traumatizada.

“A gente está temente a Deus, a espera de um milagre, para ela voltar para criar os dois filhos dela, e procurar a justiça, não pode ficar assim impune, a gente tem que se mobilizar, fazer cartazes ir pra rua, procurar esse homem onde está” disse a irmã da vítima indignada.

 

O estudante de direito, Marcelo Cajaiba Velame, contribuiu com essa reportagem e repudiou veementemente o crime: “Foi tentativa de feminicídio e não de homicídio.  Precisamos chamar a atenção para o crime de feminicídio que cresce nos últimos tempos, e a pra isso precisamos da mídia e das autoridades responsáveis.” Declarou o estagiário da Polícia Civil.

Feminicídio       (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

 

VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:      (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

 

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:     (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)

Pena – reclusão, de doze a trinta anos.

  • 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

 

I – violência doméstica e familiar;  (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

 

II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)