Auto de São Roque será apresentado no aniversário de Mutuípe


No próximo dia doze de outubro o município de Mutuípe estará completando 91 anos de emancipação política, uma série de atividades culturais estão sendo programadas para festejar este dia importante para os mutuipenses, entre elas a apresentação do Auto de São Roque por atores do grupo Nossa Tenda, previsto para acontecer as 9h manhã, após a missa na matriz.

O auto é uma espécie de peça de teatro pelas ruas, que envolve danças, poesias e a cada ano homenageia uma personalidade da história de Mutuípe, no ano passado, não pode ser realizado, pois o Prof. Astibaldo Oliveira, escolhido como homenageado, se encontrava enfermo, mas este ano, terá encenação, e será dedicada a todas as mulheres de Mutuípe, com o tema: “Mulheres de Mutum, que trem de história!”, por isso foram escolhidas sete figuras femininas dos diversos segmentos da sociedade.

Professora Adiles Almeida, conhecida pelos muitos anos de serviço como educadora, a Sra. Alaíde Souza, da região do Bom Jesus, como mulher da Agricultura e das organizações sindicais, a Sra. Conceição Lopes representando uma das primeiras comerciantes, a Sra. Lusia Brito, como servidora do ministério público, a Sra. Mercedes Rocha, filha do emancipador e primeiro prefeito de Mutuípe, a Sra. Maria Pereira, tida como símbolo dos serviços de saúde da cidade, e a Sra. Nair Oliveira, que representará o protagonismo da mulher na religião.

O auto resgata uma antiga tradição mutuipense de celebrar o dia da sua emancipação política com desfiles e manifestações culturais, ao mesmo tempo que apresenta a nova geração a história do município, diretamente ligada a devoção ao padroeiro São Roque.

7 FATOS CURIOSOS DA HISTÓRIA DE MUTUÍPE

 

1-            FRUTO DE UMA BARGANHA:

O território que corresponde ao município de Mutuípe teria sido inicialmente conquistado através de uma barganha feita pelo Coronel Manoel João da Rocha que vindo da região de Amargosa em 1860, ofereceu aos índios Cariris, uma espingarda, vísceras de um boi e três moedas em troca das terras.

 

2-            CAÇULA DO VALE:

As cidades de Ubaíra, Amargosa, Jiquiriçá e Laje alcançaram suas emancipações politicas ainda no séc. 19, enquanto Mutuípe, mesmo com notável desenvolvimento, sofreu resistência na criação do município, e da freguesia religiosa, pertencendo por muito tempo como distrito do município de Jiquiriçá.

 

3-            ABRIGO DOS MIGRANTES:

Com a criação do município em 1926, Mutuípe se tornou destino de muitos migrantes de cidades circunvizinhas como São Miguel das Matas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Salvador, Jaguaquara…Ainda hoje percebe-se um número considerável de pessoas que não nasceram em Mutuípe e aqui residem, por este fato histórico, algumas ruas de Mutuípe receberam o nome de cidades.

 

4-            INFLUENCIA FRANCESA:

Os principais símbolos da cidade como a bandeira e o brasão, são inspirados na revolução francesa, além de serem uma homenagem ao padroeiro São Roque que era francês, e teriam sido desenvolvidos meses antes da festa da emancipação pelo frei Paulo da ordem dos capuchinhos. A bandeira de Mutuípe incialmente possuía as cores vermelho, branco e preto, mas logo em seguida tornou-se exatamente igual a bandeira da França, tendo ao meio o pássaro mutum quebrando as correntes, como símbolo de originalidade.

 

5-            O NOME DA CIDADE:

O Coronel Manoel João da Rocha ao adquirir estas terras adotou o mesmo nome atribuído pelos indígenas “Mutum”, pela abundancia do pássaro na região. Em 1910 com a instalação da vila outros nomes foram adotados como “Distrito de Paz do Riacho da Cruz”, ou “Distrito de Paz do Mutum” até que nos movimentos para a emancipação o geografo Teodoro Sampaio criou o topônimo “Mutuípe”, que significa “Rio dos Mutuns”, ou “Mutum nos ipês”.

 

6-            CASAS DA BAULAUSTRADA:

Na Praça Góes Calmon havia um conjunto de casas com características arquitetônicas que lembravam uma fortaleza. A Balaustrada, por muito tempo foi símbolo de nobreza, ali residiram prefeitos, personalidades como D. Emília Gomes, assim como a Casa Paroquial, atualmente uma única casa mantém os traços da antiga balaustrada, que teria sido construída como proteção contra as enchentes do Rio Jiquiriçá e demolida para a construção de estabelecimentos comerciais.

 

7-            DEZESSEIS PREFEITOS e UMA PREFEITA:

Em 12 de Outubro de 1926 declarou-se a emancipação política de Mutuípe com a posse de seu primeiro intendente o Dr. Bartolomeu Antero Chaves, nestes 91 anos, o município foi administrado por dezesseis homens, sendo Luis Carlos Cardoso da Silva, o que mais permaneceu no poder, com três mandatos, este também foi o tempo de atuação de Clélia Chaves Rebouças, até hoje a única mulher a assumir o governo do município.

 

CONFIRA A LISTA:

1926 – BARTOLOMEU ANTERO CHAVES

1932 – BERNARDO LEAL SAMPAIO

1936 – FRANCISCO XAVIER DA COSTA

1942 – RODOLFO GIL REBOUÇAS

1946 – ANIBAL VASCONCELOS

1947 – MOISÉS ANDRADE SOUSA

1951 – JULIVAL PIRES REBOUÇAS

1955 – MÁRIO DE MATOS ROCHA

1959 – OTÁVIO FRANCISCO SOUSA

1963 – MÁRIO DE MATOS ROCHA

1967 – MOISÉS ANDRADE SOUSA

1971 – ALBERTO FERREIRA MOTA

1973 – CLÉLIA CHAVES REBOUÇAS

1977 – PEDRO ALVES DA SILVA

1983 – CLÉLIA CHAVES REBOUÇAS

1989 – GILBERTO DOS SANTOS ROCHA

1993 – CLÉLIA CHAVES REBOUÇAS

1997 – GILBERTO DOS SANTOS ROCHA

2001 – LUÍS CARLOS CARDOSO DA SILVA

2005 – LUÍS CARLOS CARDOSO DA SILVA

2008 – ANTONIO FELIPE EVANGELISTA NETO

2012 – CELSO WEBER

2013 – LUÍS CARLOS CARDOSO DA SILVA

2017-   RODRIGO MAICON DE SANTANA ANDRADE

Fonte: Livro – Mutuípe, Pioneiros e descendentes – Helena Rebouças, 1992.