Por que os ataques em escolas brasileiras estão aumentando?

Aliesh Costa, CEO do grupo Carpediem, aborda algumas razões para o fenômeno estar crescendo e orienta pais e gestores como se prevenir em relação a ataques criminosos, sob as óticas da saúde mental e da segurança.


Tragédias envolvendo tiroteios e ataques em escolas estão se tornando um fenômeno cada vez mais frequente na história recente do país. O episódio registrado no ultimo dia 13/3 na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande de São Paulo, junta-se a outros crimes semelhantes já ocorridos no Brasil. Entre esses, o mais emblemático é o de Realengo (RJ), em 2011, quando 12 jovens morreram.

Em Suzano, o ataque fez pelo menos dez vítimas fatais e o mesmo número de feridos. Os autores, dois jovens com 17 e 25 anos, ex-alunos da escola, se suicidaram após cometer os crimes. Um terceiro adolescente, também de 17 anos, não participou do ataque, mas estaria por trás do seu planejamento.

Aliesh Costa, psicóloga, coach e CEO da Carpediem Consultoria de RH, também à frente da Carpediem Escola de Segurança, chama atenção para um traço do histórico da maioria desses atiradores. “São indivíduos carentes emocionalmente.”

 

Na sua avaliação, quem se dispõe a cometer esse tipo de atentado provavelmente apresenta um histórico de carência emocional. “Claro que isso por si só não justifica os atos criminosos, mas a falta permanente de atenção e cuidado para um ou mais problemas emocionais podem ser desencadeadores de violência”, diz Aliesh.

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Videogames, no seu entender, da mesma maneira não podem ser culpados, mas o fato é que os jovens passam muito tempo na internet. “Será que o excesso de horas que um rapaz fica no celular ou computador não tem a ver com o tanto que ele é negligenciado emocionalmente pelos pais? Será que os adultos estão atentos para os sinais que a criança ou o adolescente demonstra de sofrimento e de desconforto com determinadas situações, como a dificuldade de lidar com frustrações?

 

Os pais também ficam tempo demais em seus tablets e celulares e isso é um desestímulo às conversas olho a olho, aos jantares em família, à oportunidade

de se reunir com os filhos para uma partida de jogos de tabuleiro, por exemplo. “São esses atos que aproximam jovens e adultos e que poderiam de alguma maneira prevenir a violência. Os pais têm dificuldade de se desconectar e muitas vezes não dão aos filhos a atenção necessária, esse é um fenômeno da modernidade.”

 

Já do ponto de vista da escola, Aliesh Costa acredita ser muito importante uma profunda reflexão a partir do atentado. “É fundamental que as instituições mantenham um ambiente que favoreça o diálogo e as interações sociais entre seus membros, estimulando a cultura da paz”, afirma. “E, claro, os educadores também não devem jamais negligenciar situações de opressão ou ataques à dignidade humana”, explica Aliesh.

 

Por outro lado, ela acredita também que esse é o momento de lançar luzes sobre as políticas de segurança desses estabelecimentos frequentados por crianças e adolescentes, que, por sua própria condição, apresentam maior tendência de agirem por impulso para tentar resolver questões emocionais. “São fatores múltiplos que levam a tragédias como a que presenciamos em Suzano”, pontua.

Para evitá-las, além da prevenção que vem desde a primeira infância, com pais mais presentes na rotina dos filhos, como já dito, ela recorre a algumas medidas preconizadas por Sebastião Oliveira, gestor e seu sócio na escola de segurança. São ações que podem ser úteis para coibir e/ou minimizar os riscos de violência no ambiente escolar, conduzidas por seguranças de alta performance. De acordo com Aliesh, esse profissional, mais “próximo” do estudante, tem mais percepção de movimentos e atitudes suspeitas. Por ser uma pessoa solícita, atenciosa, consegue manter um bom relacionamento com todos no âmbito escolar.

 

Algumas dicas de segurança

Para os pais:

1– Procurar escolas com controle de acesso rigoroso no acesso, com monitoramento por câmeras e com agentes de segurança muito bem preparados, se possível, de alta performance.

2- Exigir que a entrega e a retirada dos filhos em vans sejam efetuadas sempre dentro do estabelecimento;

3- Estar atento para que qualquer relato de bullying (desde o que atinge o próprio filho até o feito com outra criança) seja tratado com muita seriedade junto à direção da escola.

Para gestores de escolas:

1- Ter agentes de segurança muito bem treinados para a função, além da instalação de botões de pânico na recepção, na secretaria, nas salas de aula e na diretoria;

2- Exigir que o visitante só entre após identificado, com crachá oferecido pelo estabelecimento;

3- Instalar catraca para controle dos acessos;

4- Ter câmeras de monitoramento na maior parte dos espaços;

5- Para a entrada de veículos, ter um portão eclusa;

6- Permitir somente o acesso de veículos cadastrados;

7- Cobrar dos alunos que mostrem sempre a carteirinha de estudantes na entrada.