Wagner descarta disputar prefeitura e pede ‘cara nova’


O senador eleito Jaques Wagner negou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (10), que vá disputar a prefeitura de Salvador em 2020 e declarou que o PT não precisa “necessariamente” ter um candidato próprio.

O ex-governador disse não “enxergar” ninguém atualmente no seu grupo político com favoritismo para disputar o Palácio Thomé de Souza. “Quanto mais cara nova, para mim, melhor”, completou.

O petista adotou o mesmo raciocínio para a eleição estadual de 2022, ao defender que os petistas podem apoiar um nome de outra sigla.

“Ninguém abre mão de poder de graça, abre por estratégia política. Sempre disse que, completados 16 anos, é hora de quem tem a precedência eventualmente ceder”, opinou.

Wagner também afirmou ser ultrapassada a visão de que a esquerda não controle os gastos públicos com responsabilidade.

“O governo do Rui é irresponsável do ponto de vista fiscal? O meu governo foi? O do Camilo [no Ceará]? O do Piauí? Isso é um besteirol que já ficou para trás, depois do presente que o ex-presidente Fernando Henrique deu para o Brasil, com a equipe dele. A gente conseguiu entronizar as questões do controle da inflação, da responsabilidade fiscal, que hoje é um valor que eu acho que ninguém mexe”, disse.

Para o senador eleito, uma eventual vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na eleição presidencial também seria ruim para o país do ponto de vista econômico.

“Nem quero pensar nessa hipótese, mas a característica do outro candidato, se viesse a ganhar, tende a aumentar o desemprego. Porque eu não vejo nenhum empresário com juízo que vá botar dinheiro aqui com um governo dessa natureza. As pessoas estão no oba-oba do antipetismo, mas alguém vai colocar dinheiro aqui, em um país onde não se sabe mais a regra? Pode ser que a gente vire um país só do agronegócio. Não estou dizendo que não é importante, mas é insuficiente para garantir o desenvolvimento de um país”, declarou.

Rodrigo Aguiar / Matheus Morais