Wagner diz que operação da PF é ‘invenção’ e delegada ‘mente’


Duas semanas após ser alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal sob acusação de ter recebido R$ 82 milhões em propina proveniente de um suposto superfaturamento nas obras da Arena Fonte Nova, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), diz que a operação, denominada Cartão Vermelho, não passa de uma “invenção”.

Em entrevista publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (13), o atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico afirma que a delegada Luciana Matutino, responsável por pedir  sua prisão, “misturou tudo, pegou tudo que era delação e embolou”.

“Eu lembro quando fui falar com ela. Eu disse: ‘minha senhora, não tem nenhum delator. A senhora leu todas as delações? Não tem’. Até porque, vou insistir, Fonte Nova não foi tema. O ministro [Edson] Fachin, quando mandou para o TJ e para o TRE, mandou para investigar duas coisas: Cerb e redução de ICMS”, defendeu-se.

À época da reforma da praça esportiva, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou falhas no modelo de licitação que resultou numa Parceria Público-Privada (PPP) supostamente direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações (FNP) — formado pelas empresas Odebrecht e OAS.

“Por que o ministro Fachin, que recebeu tudo do MPF, da Força Tarefa da Lava Jato, não incluíram isso aqui [sobre Fonte Nova]? Porque nenhum [delator] falou nunca que esse contrato foi um contrato com superfaturamento ou sobrepreço. Não tem ninguém que ache sustentável o que ela falou. É totalmente fora da realidade. Só um louco – não estou dizendo que ela é – para achar que numa obra de R$ 200 milhões houve sobre preço de R$ 200 milhões, de 33%. É por isso que ficou parecendo ridículo”, acrescentou o petista.

“Ela [a delegada] mente. Pelo menos fala impropriedades. Ela diz que foi a Ufba [que fez um parecer], mas foram quatro professores privadamente que foram contratados para fazer o parecer. A Ufba nunca falou isso”.

Questionado sobre a PF ter entrado no caso, Wagner disse que “só perguntando a ela”. “Aí é outro questionamento. O primeiro delegado disse que não tem porque a PF estar nisso, porque, se crime houver, não é crime de âmbito federal. O que, aliás, coincide com a decisão do ministro Fachin, que mandou [a delação] para a Justiça Eleitoral, para saber se há crime eleitoral, e para o TJ, para saber se há crime de corrupção. Em nenhum momento [o processo] cita a Fonte Nova. Eu quero insistir nessa tese, porque isso aqui é uma invenção. Isso aqui é uma invenção. E pergunta-se à doutora: por que o ministro Fachin nunca mandou para a senhora investigar a Fonte Nova? Será que ele não enxergou? O MPF não enxergou isso? Ela pega a delação e toma como verdade. Mas nem o cara da delação diz”, afirma o ex-governador.

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